As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia apresentaram um expressivo crescimento de 14,8% em valor nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. O período, que abrange de maio a setembro deste ano, viu as vendas somarem US$ 12,21 bilhões, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em volume, os embarques avançaram 8,1%, totalizando 17,74 milhões de toneladas, um aumento significativo em relação aos 16,42 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025.

O Impulso do Acordo Mercosul-UE

A entrada em vigor provisória do acordo comercial, em 1º de maio, coincide com este notável desempenho das exportações. O pacto, que conecta mercados com cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões, já demonstra seus efeitos positivos. As preferências tarifárias concedidas pelo acordo, que incluem reduções em impostos para produtos como café torrado, café solúvel e abacate, parecem ter sido um catalisador para o aumento das vendas. Para o complexo soja, que inclui grãos, farelo e óleo, a receita cresceu 34,2% e o volume 20,5%. A soja em grãos, especificamente, viu sua receita aumentar 49% e a quantidade 35,1%.

Destaques Setoriais e de Produtos

O setor de carnes foi um dos grandes protagonistas, com um aumento de 103,5% em valor e impressionantes 170% em volume, saltando de 101 mil para 272 mil toneladas. Produtos apícolas, especialmente o mel, também registraram um crescimento substancial de 367% em valor. Outros produtos com desempenho positivo incluem o complexo florestal (+23% em valor), frutas e nozes (+15%), e outros produtos de origem animal (+55,5%). Individualmente, o abacate se destacou com um crescimento de 421,2% nas exportações, alcançando US$ 19,87 milhões, e o óleo de milho bruto avançou 266,3%. O café torrado e o café solúvel também apresentaram ganhos expressivos em receita e volume.

Desafios e Superávit Comercial

Apesar do otimismo, o acesso ao mercado europeu ainda demanda o cumprimento rigoroso de exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade, como o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). No entanto, o superávit comercial do agronegócio brasileiro com a UE aumentou 17%, atingindo US$ 10,54 bilhões no período analisado, ante US$ 9,01 bilhões em 2025. As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais da UE somaram US$ 1,67 bilhão, um crescimento modesto de 3,3%.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times