A trajetória da Airbus, gigante aeroespacial europeia, foi apresentada como um modelo de sucesso para a integração industrial e competitividade global. Em sua fala no Foro Tecnológico Global, Amparo Moraleda, presidente do conselho de administração da companhia, ressaltou que há cinco décadas a Europa percebeu a necessidade de unir capacidades para alcançar a escala requerida no mercado mundial. Essa mesma lógica, argumentou, deve ser aplicada à consolidação dos setores de defesa e espacial europeus.

Integração Europeia e o Modelo Airbus

Moraleda destacou que a Airbus nasceu da união de empresas de diferentes países europeus, criando uma entidade capaz de competir em pé de igualdade com gigantes americanos. Essa cooperação permitiu não apenas o desenvolvimento de tecnologias complexas, mas também a criação de empregos e o fortalecimento da soberania tecnológica do continente. A presidente da Airbus defende que a Europa precisa de uma abordagem similar para fortalecer sua indústria de defesa, citando a fragmentação atual, com mais de 140 sistemas de armas distintos em operação, em contraste com os 32 dos Estados Unidos. Essa união estratégica é vista como crucial para garantir a capacidade de resposta e a autonomia europeia em um cenário geopolítico cada vez mais desafiador.

O Papel da Espanha e a SOBERANIA Tecnológica

Dentro desse contexto, a Espanha possui um papel estratégico a desempenhar. Moraleda ressaltou a força da cadeia de suprimentos espanhola e as capacidades em áreas como fibra de carbono como ativos importantes para a Airbus e para a indústria europeia. A urgência em liderar programas de defesa e tecnologia, contudo, vai além da simples participação. A presidente da Airbus enfatizou a necessidade de garantir um "marco soberano para a nuvem europeia e um ecossistema de IA robusto", elementos essenciais para proteger a estratégia industrial de longo prazo do continente. A dependência de tecnologias estrangeiras, especialmente em áreas críticas como inteligência artificial, representa um risco significativo para a autonomia e a competitividade europeia frente a potências como os Estados Unidos e a China.

Desafios e Oportunidades na Era da IA

As discussões no Foro Tecnológico Global, impulsionado pela Associação Espanhola de Empresas de Consultoria (AEC), ecoaram a visão de Moraleda. Executivos presentes apontaram a necessidade de aumentar investimentos, escala e talento para que a Espanha e a Europa possam capitalizar as oportunidades da inteligência artificial e melhorar sua posição competitiva. Vítor Gaspar, da Multiverse Computing, definiu a IA como infraestrutura crítica e alertou para o desafio da soberania tecnológica diante do uso de modelos estrangeiros. A concentração de capital americano foi contrastada com os modelos eficientes da China, evidenciando a complexidade do cenário global. A transformação do produto, a canalização de poupança para investimento produtivo e a adaptação de modelos operacionais e culturais foram apontados como passos necessários para a incorporação efetiva da IA.

O Caminho a Seguir: Inovação e Colaboração

O debate também abordou a importância de considerar o desenvolvimento da IA de forma integral, desde a pesquisa até a aplicação. Oportunidades concretas, como a fabricação de chips e semicondutores, foram identificadas para a Espanha. No entanto, o sucesso dependerá também do desenvolvimento do capital humano, com a defesa de um impulso na formação e na adoção tecnológica, inclusive em micro e pequenas empresas. A colaboração entre o setor público e privado, com um papel ativo da administração, e a capacitação contínua das equipes são fundamentais para navegar nesta nova fronteira tecnológica. A integração europeia, com a Airbus como exemplo, e o protagonismo da Espanha são vistos como pilares para construir um futuro tecnológico autônomo e competitivo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España