A Apple, conhecida por seus produtos de design fechado e difícil reparo, fez uma concessão mínima com a nova geração de seus fones de ouvido sem fio. Os AirPods 5, lançados recentemente, foram avaliados pela iFixit, que constatou uma pequena, porém notável, melhoria na sua reparabilidade. Pela primeira vez, a substituição da bateria dos fones não exige a destruição completa do dispositivo, elevando a nota de zero para dois em uma escala de dez.

Uma pequena vitória para a reparabilidade

Por anos, os AirPods foram um símbolo da resistência da Apple a qualquer tentativa de conserto. As gerações anteriores testadas pela iFixit recebiam a nota máxima em impeditividade de reparo: zero. A equipe da iFixit descreveu o processo como um "sangramento", com tentativas de corte, derretimento e maldições direcionadas aos dispositivos. Os AirPods 5, contudo, apresentam uma mudança, ainda que tímida. A principal novidade é a possibilidade de substituir as baterias sem a necessidade de uma "cirurgia destrutiva". Isso se deve ao uso de prongs removíveis em vez de solda e à possibilidade de abrir os fones com ferramentas comuns. Um grampo, um secador de cabelo em baixa temperatura e alguma paciência foram suficientes para abrir os fones de forma limpa e remover as baterias.

Limitações persistem e o estojo segue irremovível

Apesar do avanço, a iFixit ressalta que o reparo ainda não é simples. A primeira grande ressalva é a indisponibilidade de baterias de reposição no mercado. Além disso, as baterias dos fones esquerdo e direito são sutilmente diferentes e não intercambiáveis, com polaridade invertida e prongs ligeiramente descentralizados. Mais profundamente, os AirPods 5 integram o chip H2, responsável por funções como cancelamento ativo de ruído. No entanto, o estojo de carregamento, que agora conta com entrada USB-C e resistência IP57, permanece praticamente irremovível. Todas as tentativas de abri-lo intacto falharam, resultando em destruição do componente.

O caminho para a sustentabilidade ainda é longo

Com uma nota final de dois em dez, os AirPods 5 ainda são considerados um produto de baixa reparabilidade. A iFixit compara a situação com a dos "Fairbuds" da Fairphone, que demonstram ser possível priorizar a troca de bateria tanto nos fones quanto no estojo. A ausência de manuais de reparo da Apple e de peças de reposição disponíveis ao consumidor reforça a ideia de que a jornada para um produto eletrônico verdadeiramente sustentável e reparável ainda é longa. A Apple deu um passo, mas a distância a percorrer é considerável.

Perguntas em aberto e o futuro da reparabilidade

A melhora nos AirPods 5 levanta questões sobre o futuro da política de reparabilidade da Apple. Será que essa pequena concessão é o prenúncio de mudanças maiores em outros produtos? Ou um esforço pontual para responder às crescentes demandas por sustentabilidade e direito ao reparo? A falta de peças e manuais sugere que, por enquanto, o usuário comum ainda terá dificuldades em consertar seus fones. A Apple parece estar respondendo à pressão, mas sem comprometer seu modelo de negócios focado em novos produtos. Observaremos se a tendência de "melhoria mínima" se manterá ou se veremos um avanço mais substancial.

A Apple, ao que parece, está ouvindo as críticas sobre a reparabilidade de seus produtos. A pequena evolução nos AirPods 5, que agora permitem a troca de bateria sem destruição total, é um indicativo. Contudo, a nota dois de dez e as limitações significativas — especialmente no estojo de carregamento — mostram que o caminho para um ecossistema verdadeiramente sustentável e acessível para reparos ainda é árduo e repleto de desafios.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Register