A coalizão de governo da Alemanha apresentou um conjunto de 34 medidas desenhadas para impulsionar a economia e o mercado de trabalho. O pacote busca restaurar o dinamismo do país e reforçar a sustentabilidade do sistema de bem-estar social. A iniciativa surge em um momento em que a maior economia da Europa enfrenta revisões pessimistas para o seu Produto Interno Bruto (PIB) e pressões inflacionárias persistentes.

O governo pretende, segundo o anúncio oficial, garantir a preservação do estado de bem-estar social enquanto promove um ambiente de crescimento mais robusto. Autoridades destacaram que o plano visa não apenas as gerações atuais, mas também assegurar a viabilidade econômica para os mais jovens, em um movimento descrito como um novo rumo para a nação.

Reformas estruturais e alívio fiscal

O cerne da estratégia reside em uma reforma profunda do sistema de pensões, que inclui a vinculação da idade de aposentadoria à expectativa de vida e a introdução de um fundo de capitalização para investimentos em mercados. Paralelamente, o plano prevê um alívio fiscal de 10 bilhões de euros anuais, com foco em famílias de renda média e baixa. A partir de 2027, o aumento de mínimos isentos e deduções por filho visa reduzir a carga tributária direta para os trabalhadores.

Para compensar a perda de arrecadação, o governo ajustará o chamado "imposto aos ricos", elevando taxas para rendas superiores a 250 mil euros anuais. O plano também eleva o gravame sobre os chamados 'Mini-Jobs' de 2% para 5%, buscando um equilíbrio na estrutura tributária. A simplificação burocrática é outra prioridade, com o governo prometendo revisar normas de proteção de dados que tornaram-se obstáculos à agilidade administrativa.

Flexibilização laboral e controle de gastos

No campo do trabalho, foram introduzidas medidas para flexibilizar contratos temporários, permitindo durações de até 48 meses com múltiplas prorrogações até o final de 2030. A medida visa dar maior fôlego às empresas na gestão de pessoal. Além disso, o governo endureceu as regras para baixas médicas, eliminando o atestado telefônico e prometendo maior rigor na fiscalização contra o absenteísmo excessivo.

O combate à fraude em benefícios sociais também ganhará força com um plano de ação coordenado entre os ministérios do Trabalho e do Interior. O objetivo é permitir um intercâmbio de dados mais eficiente entre autoridades, visando maior transparência e controle na distribuição de recursos públicos, em um esforço para otimizar o uso do orçamento estatal.

Habitação e mercado imobiliário

Para enfrentar a crise habitacional, o governo criará uma sociedade de construção focada em habitações econômicas, atuando especialmente em regiões com escassez comprovada de oferta. A intenção é suprir a demanda onde o mercado privado não tem sido suficiente. Simultaneamente, uma lei federal proibirá a nacionalização de parques imobiliários privados, uma medida destinada a oferecer segurança jurídica para investidores e incentivar a construção privada.

Perspectivas econômicas e desafios

O cenário de fundo permanece desafiador, com instituições como o Bundesbank e o instituto Ifo revisando para baixo as expectativas de crescimento do PIB para este ano e o próximo. A inflação, embora sob monitoramento, deve permanecer elevada nos próximos anos, exigindo que o plano de 34 medidas entregue resultados rápidos para restaurar a confiança dos agentes econômicos.

A implementação dessas mudanças será o verdadeiro teste para a coesão do governo. O sucesso do plano dependerá da capacidade em equilibrar as reformas estruturais com as demandas sociais, enquanto a economia alemã tenta navegar por um ambiente de incertezas globais e pressões internas por competitividade. O tempo dirá se as medidas serão suficientes para retirar a Alemanha do letargo econômico atual. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España