A prática de recontratar ex-funcionários, conhecida como "hiring boomerang", está em ascensão, impulsionada por um cenário corporativo em rápida mutação. Empresas como Amazon e Meta têm buscado ativamente trazer de volta talentos que anteriormente demitiram, refletindo uma correção de curso em estratégias de reestruturação e cortes de pessoal, muitas vezes acelerados pela inteligência artificial (IA).

A onda dos "boomerangs" impulsionada pela IA

O fenômeno ganha contornos mais acentuados à medida que as companhias, em meio a anúncios de demissões, citam a IA como um fator determinante. Segundo dados de empresas de transição de carreira, quase um quarto dos cortes anunciados têm a IA como principal justificativa, tornando-se o motivo líder pelo quinto mês consecutivo. Essa dinâmica leva a questionamentos sobre a velocidade e a precisão com que as empresas implementam mudanças baseadas em IA, resultando em arrependimentos e na necessidade de reverter decisões.

Reconhecendo erros e a necessidade de julgamento humano

Maria Colacurcio, CEO da Syndio, exemplifica essa tendência ao admitir que sua empresa agiu "muito rápido" em uma reestruturação impulsionada por IA, que resultou na demissão de cinco funcionários. Semanas depois, ela recontratou um deles para um cargo recém-criado, reconhecendo que a tecnologia ainda não estava madura o suficiente e que subestimou a capacidade de adaptação de seus colaboradores. A executiva destacou que, ao fornecer as ferramentas e o treinamento adequados em IA, os funcionários podem evoluir e assumir novas responsabilidades, algo que não foi considerado inicialmente.

O valor agregado dos ex-colaboradores

Para empresas como Deel, HR Tech que viu seus "boomerangs" mais que duplicarem entre 2024 e 2026, o retorno de ex-funcionários é visto como estratégico. Eles já compreendem a cultura da empresa e possuem relacionamentos internos que agilizam processos. Executivos de outras companhias, como Dome Systems e Freshworks, reforçam que esses profissionais trazem um "entendimento contextual" e expertise valiosos, adquiridos em outras experiências, que podem ser cruciais para o desenvolvimento de novos produtos e estratégias.

Nem toda volta é um sucesso

Apesar dos benefícios, o caminho de volta nem sempre é linear ou garantido. O caso de um engenheiro de software que, após ser demitido da Amazon, retornou e foi novamente cortado, ou de um gerente de produto que passou por demissões em duas grandes empresas em sequência, ilustra os riscos. Outros ex-colaboradores, como um ex-funcionário do Google, optam por recusar ofertas de retorno para seguir seus próprios empreendimentos, vendo a demissão como um catalisador para novas oportunidades. A decisão de voltar ou não depende, em última instância, das circunstâncias individuais e dos objetivos de carreira de cada profissional.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider