Marcelo Fayh, analista CNPI, antecipa um futuro onde os fundos imobiliários (FIIs) não apenas funcionam como geradores de renda a longo prazo, mas também superam as ações em número de investidores no Brasil. Segundo Fayh, a indústria de FIIs está em uma fase de consolidação e crescimento acelerado, com fundos ganhando escala e, por vezes, apresentando maior volatilidade em decorrência dessa expansão. O principal desafio, segundo o analista, reside no amadurecimento da própria indústria. Embora os FIIs já sirvam como um instrumento previdenciário eficaz, o mercado atual ainda não é adequado para todos os perfis de investidores, principalmente devido à volatilidade e às transformações em curso.
O Dilema do Crescimento Acelerado
A busca por escala, impulsionada pela necessidade de não perder espaço em um cenário de consolidação, cria um dilema para os gestores de FIIs. Fayh aponta que, nessa corrida, os fundos podem acabar assumindo riscos maiores do que os cotistas estariam confortáveis em aceitar. Para o investidor focado em renda recorrente, essa dinâmica pode gerar insegurança, levando a decisões de venda em momentos de estresse. A estratégia de um fundo pode mudar abruptamente, ou um evento negativo pode abalar a confiança, forçando o cotista a agir em cenários desfavoráveis.
Caminho para a Maturidade e Estabilidade
Fayh acredita que essa volatilidade tende a diminuir conforme a indústria de FIIs avança para uma fase mais madura. Ele não espera que o crescimento acelerado se mantenha indefinidamente, prevendo que o mercado eventualmente encontrará um ritmo mais estável e previsível. Esse processo de maturação, que pode levar anos, resultará em fundos com ativos de maior escala, forte lastro em imóveis físicos e, crucialmente, menor volatilidade. Essa característica tornará os FIIs um ativo extremamente confortável, atraindo um público cada vez maior de investidores.
FIIs como Pilar Previdenciário
A projeção de Fayh é que os fundos imobiliários se tornarão o principal ativo para quem busca construir uma carteira previdenciária. A combinação de distribuição recorrente de rendimentos e a renda mensal oferecida pelos FIIs possui um apelo particularmente forte para investidores com foco no longo prazo. O analista defende a construção de uma carteira relativamente concentrada, mas com diversificação adequada, sugerindo um número entre 10 e 20 fundos como ideal para diluir riscos sem pulverizar excessivamente o capital, o que poderia tornar algumas posições insignificantes e demandar tempo excessivo de acompanhamento.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





