Antón Costas, presidente do Conselho Económico e Social da Espanha (CES), lançou um alerta contundente durante o Forbes Economic Summit: a forma como a Europa definirá e buscará sua nova competitividade terá repercussões que transcendem a esfera estritamente econômica, podendo impactar diretamente a democracia liberal.

A discussão, segundo Costas, exige uma redefinição do próprio conceito de competitividade. Ele contrapõe a visão tradicional, microeconômica, que mede o sucesso pela participação de mercado de uma empresa, a uma perspectiva macroeconômica que avalia a capacidade de um país em melhorar, ao longo do tempo, as condições de vida de seus cidadãos. "Se víssemos um país ou uma empresa que melhora sua cota de mercado nos mercados internacionais, mas ao mesmo tempo as condições de vida de grande parte de seus cidadãos pioram, há um jogo que não funciona", afirmou Costas, sublinhando que o ganho de presença global não pode ser o único indicador de sucesso se não se traduzir em bem-estar social.

Costas distingue a "velha competitividade" de um novo modelo, argumentando que o primeiro se baseava predominantemente na redução de custos salariais para ganhar participação de mercado. Em contrapartida, citando reflexões de Mario Draghi, o presidente do CES defende que a nova competitividade deve se apoiar na incorporação de conhecimento e competências à mão de obra, em vez de na repressão salarial. A vantagem competitiva, portanto, não viria de produzir mais barato, mas de elevar as capacidades de trabalhadores e empresas para gerar maior produtividade e valor agregado.

Essa nova abordagem à competitividade está intrinsecamente ligada à sustentabilidade do modelo social europeu. Costas ecoa as preocupações de Draghi sobre o envelhecimento das sociedades europeias e a necessidade de manter elevados níveis de proteção social e redistribuição. O desafio reside em construir uma economia que possa competir num cenário internacional exigente sem que o ônus dessa competição recaia sobre os salários e as condições de vida dos cidadãos. A discussão, portanto, engloba produtividade, conhecimento, salários, proteção social e democracia, buscando um equilíbrio onde a competitividade econômica impulsione o progresso social e garanta a estabilidade democrática.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España