A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) notificou o Mercado Livre (MELI34) após o início das vendas de medicamentos que exigem prescrição e retenção de receita em seu marketplace, além da entrada de farmácias parceiras na plataforma. A empresa tem até o dia 1º de outubro para responder às solicitações da agência, que busca informações sobre a regularidade da operação e o cumprimento das exigências sanitárias aplicáveis a farmácias e drogarias.
Análise da Notificação
A notificação da Anvisa levanta questionamentos sobre a adequação do modelo de negócios do Mercado Livre para a comercialização de medicamentos. A agência busca detalhes sobre os procedimentos para conferência de receitas médicas, bem como as regras de armazenamento e transporte dos produtos. Segundo informações divulgadas, a Anvisa não possui regulamentação que autorize a intermediação de marketplaces nesse tipo de comercialização, o que pode representar um obstáculo significativo para a operação.
Reação do Mercado e Regulador
A entrada do Mercado Livre no segmento de venda de medicamentos com receita foi recebida com cautela pelo mercado financeiro, apesar de análises do Itaú BBA indicarem potencial como nova fonte de receita, replicando modelos de sucesso em outros países da América Latina. No entanto, a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) já havia manifestado preocupação, enviando um ofício à Anvisa pedindo esclarecimentos urgentes sobre a legalidade sanitária do modelo.
Implicações para o E-commerce de Saúde
O modelo de negócios inicialmente focado em São Paulo, com a expectativa de integrar 20 redes de farmácias, baseia-se em um modelo 3P, onde as farmácias parceiras mantêm a responsabilidade pela venda e estoque. O Mercado Livre entraria com a oferta de tráfego, tecnologia e logística. A intervenção da Anvisa, contudo, pode forçar uma reavaliação estratégica, especialmente se a agência mantiver a posição de que marketplaces não estão aptos a intermediar a venda de medicamentos controlados.
Perguntas em Aberto
A principal questão que paira no ar é se o Mercado Livre conseguirá demonstrar à Anvisa a conformidade de suas operações com as normas sanitárias vigentes, ou se a agência manterá sua posição restritiva. O desfecho desta notificação poderá definir novos parâmetros para a entrada de grandes marketplaces no setor de saúde, impactando não apenas o Mercado Livre, mas também o ecossistema de farmácias e drogarias online no Brasil.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





