A internet brasileira, em sua maioria, aprendeu a se comunicar com os mecanismos de busca como o Google, mas ainda tropeça quando o assunto é a nova geração de inteligência artificial. Um estudo inédito da Conversion, intitulado "State of Crawl 2027", revela que apenas 11 dos 1.955 sites de maior audiência no país (o equivalente a 0,56%) estão efetivamente preparados para serem lidos, compreendidos e navegados por agentes de IA. Em contrapartida, 1.670 sites (85,42%) já atendem aos requisitos de SEO técnico, garantindo sua visibilidade e indexação pelos buscadores tradicionais. A disparidade entre essas duas métricas é gritante, com uma diferença de 84,86 pontos percentuais.
A lacuna entre SEO e a era dos agentes de IA
O levantamento mediu o estado de rastreamento de robôs e agentes nos sites mais acessados do Brasil, comparando a capacidade de um site ser encontrado por buscadores e a de ser operado por agentes de IA. Numa escala de 0 a 100, a mediana técnica dos sites alcança 90 pontos, demonstrando um alto nível de otimização para os mecanismos de busca atuais. Contudo, a mediana para agentes de IA despenca para 25 pontos. Mesmo os 25% melhores sites na dimensão agêntica não ultrapassam a marca de 37,5 pontos, muito aquém dos 70 necessários para serem considerados preparados. Essa discrepância não se restringe a setores isolados; em 10 dos 19 setores analisados, nenhum site atingiu o patamar mínimo para agentes de IA.
O que muda com os agentes de IA na web
As interfaces de IA estão evoluindo de simples recomendadores de links para ferramentas capazes de comparar opções, localizar informações específicas, executar sequências de ações e orientar decisões complexas em nome do usuário. Para que isso seja possível, os agentes precisam não apenas interpretar o conteúdo de um site, mas também reconhecer suas regras de navegação e encontrar caminhos de ação sem se perderem na complexidade das interfaces. O estudo ressalta que "encontrar uma página e conseguir agir dentro dela agenticamente são desafios diferentes". A primeira capacidade é um pilar do SEO técnico consolidado, enquanto a segunda exige que sistemas automatizados consigam ler, compreender e interagir de forma dinâmica com o site. Um site rápido e rastreável, por si só, não garante a operabilidade por agentes, assim como um recurso específico para IA não compensa uma base técnica deficiente.
Implicações para o marketing e o futuro da web
Para o marketing digital e a estratégia de negócios, essa divisão representa um novo campo de atuação. A visibilidade em buscas tradicionais e a participação em jornadas de usuário mediadas por IA passam a ser problemas distintos, embora ambos se enquadrem na evolução do SEO para o que se pode chamar de GEO (Generative Engine Optimization). Enquanto os fundamentos de busca já estão amplamente disseminados – como títulos de página (98,81%), não bloqueio de indexação (98,23%) e compactação de arquivos (93,89%) –, a camada de preparação para agentes de IA mostra um avanço muito mais tímido. Oito em cada dez sites dos mais acessados no Brasil não fornecem aos sistemas de IA diretrizes claras sobre como seu conteúdo pode ser utilizado, e menos de 1% oferece ferramentas para a execução de ações diretas por agentes.
Preparo desigual entre os setores e os líderes
A lacuna entre SEO técnico e preparo para agentes se manifesta em todos os 19 setores analisados. O setor de moda, beleza e acessórios, por exemplo, lidera a diferença com 99,17% de conformidade em SEO técnico, mas nenhum site atingindo o preparo para agentes. Já o setor de comércio e marketplaces apresenta a menor média para agentes (21,79 pontos), com apenas 40% dos sites exibindo conteúdo sem depender de scripts, o que limita a capacidade de leitura por IA. Em contraste, serviços profissionais e negócios registram a maior média para agentes (34,64 pontos) e a maior adoção de políticas de IA e arquivos llms.txt. O portal imobiliário chavesnamao.com.br se destaca como o único site a atingir nota máxima na dimensão para agentes, com um Crawl Score geral de 95 pontos. Outros sites como linktr.ee, fogaonet.com e havaianas.com.br também aparecem entre os mais preparados, indicando que a adaptação para a nova era da IA, embora incipiente, já é uma realidade para alguns pioneiros.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





