Apple Music revelou seu primeiro rebranding desde o lançamento em 2015, apresentando um novo logo que rompe com as convenções do design digital. Em vez de algoritmos ou inteligência artificial, a nova identidade visual foi concebida através de um processo físico intrinsecamente ligado ao som. A iniciativa, em colaboração com o músico Fred Again, buscou traduzir a essência da música em uma forma visual tangível, dando ao serviço um caráter distintivo.

A Sinfonia Visual: Da Onda Sonora ao Logo

A premissa central do rebranding foi que o próprio som gerasse as imagens. A Apple descreveu o desejo de "destilar a ideia de música em algo visualmente belo". O processo, detalhado em um vídeo divulgado pela empresa, envolveu o uso de ondas sonoras para manipular um líquido. Um ícone em formato de peça plástica foi imerso em uma fina camada de óleo mineral. Frequências musicais, criadas por Fred Again em parceria com a NEST Acoustics, foram convertidas em vibrações físicas por meio de um transdutor. Essas vibrações movimentaram o óleo, gerando o efeito ondulado característico do novo logo.

O Processo Criativo: Tecnologia e Arte em Harmonia

"Essencialmente, a ideia foi criar a onda sonora perfeita", explicou a Apple. O método consistiu em reproduzir uma frequência através de um sistema que, por sua vez, movimenta o líquido na frequência das notas musicais. A colaboração com um artista renomado garantiu a qualidade e a expressividade das notas escolhidas para a "mnemônica" sonora, que depois foram usadas para gerar os visuais. Essa abordagem representa um contraponto interessante à crescente predominância do design digital e da IA nos processos criativos contemporâneos, reafirmando o valor da experimentação física na criação de identidades de marca.

Identidade Tipográfica e Espaço Físico

Além da estética ondulada, a tipografia do logo Apple Music também foi atualizada. O "M" de "Music" agora aparece em minúsculo, alinhando-se à identidade visual mais ampla da Apple. A fonte utilizada é uma versão customizada da SF Pro, em formato negrito e totalmente minúsculo. O novo logo foi integrado ao Apple Music Hall, um novo espaço inaugurado pela empresa em Battersea, Londres. O local, com uma estética industrial que dialoga com a estação de energia renovada onde está situado, exibe o logo nas suas paredes, marcando a presença física da nova identidade visual.

Implicações e Futuro do Design

O rebranding da Apple Music levanta questões sobre o futuro do design de marcas em um mundo cada vez mais digital. Ao priorizar um processo físico e orgânico, a Apple sinaliza que a inovação pode vir da fusão de diferentes disciplinas, e não apenas do avanço tecnológico puro. A colaboração com artistas como Fred Again sugere um caminho onde as marcas buscam autenticidade e profundidade emocional através de parcerias criativas. A adoção de um logo "feito por som" pode inspirar outras empresas a explorarem abordagens menos convencionais para a construção de suas identidades visuais, buscando conexões mais profundas com seu público.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen