A indústria do entretenimento, sempre atenta às transformações tecnológicas, encontra-se em um novo ponto de inflexão com o avanço da inteligência artificial (IA). Ari Emanuel, figura proeminente de Hollywood como presidente executivo do WME Group e CEO da TKO Group Holdings (dona da UFC e WWE), compartilhou suas visões sobre o impacto da IA em uma recente conversa, destacando seu potencial para desbloquear novas formas de criatividade e remodelar o cenário de produção.
IA como catalisadora de criatividade
Emanuel enxerga a IA não como uma ameaça, mas como uma ferramenta poderosa para impulsionar a criatividade. Ele prevê que a tecnologia permitirá que cineastas e criadores produzam conteúdo de forma mais eficiente e inovadora. "Acho que vai ser um incrível desbloqueio para a criatividade", afirmou, detalhando como a IA pode auxiliar em tarefas como efeitos visuais, maquiagem e até mesmo na interpretação de roteiros, liberando os profissionais para se concentrarem em aspectos mais estratégicos e artísticos. A redução de custos de produção é outra consequência esperada, o que, segundo ele, levará a um aumento na quantidade e diversidade de conteúdo disponível para o público. Plataformas como Netflix, Disney e Amazon, ao produzirem mais conteúdo, podem se beneficiar desse novo ecossistema.
O papel insubstituível do talento humano
Apesar do otimismo em relação à IA, Ari Emanuel é categórico ao afirmar que ela não substituirá a necessidade de grandes talentos criativos. "Eu ainda acho que você precisa de um Ben Affleck, um Marty Scorsese, um Baz Luhrmann – você precisa de criativos reais", defendeu. Para ele, a IA pode ser uma ferramenta para aprimorar o trabalho desses artistas, mas não para criar obras-primas por si só. A capacidade de contar uma história envolvente, de capturar a essência humana e de resolver conflitos inerentes à produção de um filme ou série ainda dependerá da genialidade e da experiência de roteiristas, diretores e atores. A figura do agente, por exemplo, continua fundamental para identificar esses talentos, negociar contratos e garantir que a visão criativa seja realizada, um papel que, segundo Emanuel, não será facilmente automatizado.
O futuro da publicidade e do contato humano
A conversa também abordou a evolução da publicidade na era da IA e a importância do contato humano. Emanuel acredita que, embora a IA possa otimizar a segmentação de anúncios, a necessidade de gerar desejo humano, especialmente em eventos ao vivo, continuará sendo um pilar do mercado publicitário. Ele vê um futuro onde o tempo das pessoas se torna mais precioso, valorizando experiências imersivas e interações autênticas. A IA, ao mesmo tempo que pode atomizar as interações individuais, também pode liberar tempo para que as pessoas busquem mais conexão e experiências significativas. O agente ressalta a importância de conversas telefônicas, que oferecem maior "largura de banda" para a comunicação e compreensão mútua, em contraste com a comunicação digital, que pode levar a mal-entendidos. Essa valorização do contato direto e da profundidade na comunicação é um contraponto à superficialidade que a tecnologia por vezes impõe.
O valor duradouro das redes sociais e eventos ao vivo
No cenário digital, Emanuel prevê que as redes sociais, longe de perderem relevância, podem se tornar ainda mais valiosas. Ele argumenta que, em um mundo cada vez mais fragmentado pela IA, as plataformas que conectam pessoas reais e permitem interações autênticas terão um papel crucial. A IA pode ser uma ferramenta para aprimorar a criação de conteúdo gerado pelo usuário (UGC), mas a essência das redes sociais como espaços de conexão humana permanecerá. Paralelamente, o mercado de eventos ao vivo, como os promovidos por suas empresas, é visto como um nicho com grande potencial, justamente por oferecer experiências concentradas e de alto valor para um público engajado. A capacidade de gerar desejo humano e de criar momentos memoráveis em um ambiente compartilhado é algo que a IA, por si só, não consegue replicar, consolidando o valor de eventos e interações sociais autênticas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Stratechery





