A artista e designer têxtil Anouska Samms acusou o Metropolitan Museum of Art de exibir uma peça "contrafeita" em sua recente exposição "Costume Art", com curadoria de Andrew Bolton. Em uma série de publicações nas redes sociais, Samms afirma que o vestido, identificado como Corpus Nervina 0.0, é uma apropriação indevida de uma colaboração anterior realizada com o designer Yoav Hadari em 2023.
Segundo a artista, a peça original, intitulada Nervina, foi desenvolvida durante uma residência na Sarabande Foundation, onde ela contribuiu com técnicas de tecelagem que utilizam cabelo humano. A disputa ganha contornos complexos à medida que o Met, inicialmente interessado em adquirir a obra original, viu as negociações estagnarem após Hadari alegar danos no material e oferecer uma nova versão do design à instituição, agora sob sua marca Y H Studios.
O embate pela propriedade intelectual
O cerne da controvérsia reside na definição de autoria e na natureza dos direitos sobre a obra. Samms sustenta que, conforme contrato firmado em 2023, ela detém a propriedade intelectual exclusiva do tecido têxtil criado para a peça. O documento estipulava um prazo de uso de apenas um ano para a licença, o que, segundo a defesa da artista, expirou antes da inclusão do vestido na exposição do Met.
Por outro lado, o designer Yoav Hadari e seu estúdio argumentam que a propriedade de Samms se restringe ao material têxtil e não se estende ao conceito, construção ou direção criativa do vestido. A defesa de Hadari afirma que a peça exibida no museu não contém nenhum componente da obra original, sendo uma criação inspirada na colaboração, mas executada com novos materiais, como seda e poliéster.
O papel das instituições de arte
A inclusão da peça no acervo do Met sem o devido crédito a Samms levanta questões sobre a responsabilidade das instituições de curadoria na verificação da procedência e autoria das obras. O museu, que se recusou a comentar detalhes específicos, afirmou estar aguardando a resolução do conflito entre os dois artistas para tomar qualquer medida adicional.
Para especialistas em direito da arte, o caso ilustra as tensões frequentes entre a liberdade criativa e a proteção da propriedade intelectual. A exigência de Samms não se limita apenas ao reconhecimento público como coautora, mas também a uma compensação financeira pelo trabalho investido na criação original, buscando ser colocada na posição que ocuparia caso a aquisição pelo museu tivesse ocorrido conforme o planejado.
Perspectivas e desdobramentos
O episódio coloca em xeque a governança de grandes museus ao lidar com obras que derivam de colaborações complexas. A incerteza sobre como o Met irá proceder, caso a disputa legal se prolongue, permanece como um ponto de atenção para o ecossistema de exposições de arte e moda. O caso serve como um lembrete de que a transparência na atribuição de créditos é fundamental para manter a integridade curatorial.
O desfecho desta disputa poderá estabelecer um precedente sobre como instituições de renome internacional lidam com reivindicações de autoria em obras contemporâneas. Enquanto a comunidade artística observa o desenrolar das negociações, a questão central permanece: até que ponto o conceito de "inspiração" pode ser utilizado para contornar direitos autorais estabelecidos em contratos de colaboração?
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





