O otimismo dos assessores financeiros afiliados à XP Investimentos registrou uma melhora expressiva em abril, impulsionado pela recente recuperação do mercado acionário brasileiro. Segundo a mais recente Pesquisa com Assessores da XP, 29% dos entrevistados planejam aumentar a alocação em ações nos próximos meses, um aumento de 19 pontos percentuais em relação a março. Este é o nível mais alto de intenção de aumentar a exposição à bolsa desde março. Em paralelo, apenas 11% dos assessores indicaram que pretendem reduzir a exposição à renda variável, uma queda de 6 pontos percentuais. A pesquisa também revela uma melhora no sentimento geral em relação às ações brasileiras: a nota média atribuída pelos assessores subiu de 5,7 em março para 6,8 em abril, a maior desde maio de 2025. Além disso, 61% dos participantes deram notas iguais ou superiores a 7 para a Bolsa brasileira, um avanço de 18 pontos percentuais, marcando a maior melhora mensal do indicador desde meados de 2023.

Otimismo e Projeções para o Ibovespa

A visão mais positiva sobre o mercado de ações levou a uma revisão para cima nas expectativas para o Ibovespa. A projeção média para o principal índice da bolsa brasileira no fim de 2026 passou de 172 mil para 188 mil pontos. Apesar dessa forte revisão, a estimativa ainda sugere uma valorização de cerca de 2,5% em relação ao patamar atual do índice, que se encontra próximo dos 183 mil pontos. Esse movimento indica uma crença de que o mercado tem espaço para crescer, mesmo que de forma moderada, nos próximos anos. A XP destaca que essa melhora no humor do mercado, embora ainda não se traduza integralmente em mudanças de posicionamento — a alocação efetiva dos clientes em ações permaneceu praticamente inalterada em abril —, sinaliza uma maior disposição para elevar o risco das carteiras no futuro próximo.

Renda Fixa Mantém Liderança, Mas Ações Ganham Espaço

Apesar do crescente interesse pela bolsa, a renda fixa continua sendo a classe de ativos preferida dos investidores. O interesse por produtos de renda fixa avançou para 84% em abril, um aumento de 7 pontos percentuais em relação a março e o nível mais alto desde dezembro de 2024. Fundos de renda fixa e investimentos internacionais seguem na sequência. Contudo, o interesse por ações e fundos imobiliários também apresentou crescimento, alcançando 39% em ambos os casos. Essa dualidade sugere que, enquanto a segurança da renda fixa ainda atrai a maioria, os investidores estão começando a olhar com mais atenção para oportunidades de maior retorno na renda variável.

Riscos Domésticos e Setores Preferidos

As preocupações domésticas continuam a dominar o radar de riscos para o mercado brasileiro. Riscos fiscais foram apontados por 78% dos assessores como a principal ameaça, um percentual praticamente estável em relação ao mês anterior. A instabilidade política e eleitoral aparece em seguida, citada por 71% dos entrevistados. Riscos geopolíticos ganharam relevância, mencionados por 35% dos participantes, um aumento de 17 pontos percentuais. Por outro lado, a preocupação com juros locais acima do esperado perdeu força, caindo para 29%. Nesse cenário, o setor financeiro consolidou sua liderança entre as preferências dos assessores, com 74% das indicações, seguido pelos setores de elétricas e saneamento, com 63% das preferências.

Eleições e Posicionamento dos Clientes

A proximidade das eleições de outubro tem influenciado cada vez mais as decisões de investimento. Segundo a pesquisa, 75% dos assessores afirmaram que a disputa eleitoral já impacta o posicionamento das carteiras dos clientes, um aumento em relação aos 63% registrados em março. Além disso, 33% dos assessores perceberam mudanças significativas de alocação motivadas pelo cenário eleitoral. Esses resultados indicam que, embora a renda fixa continue predominante, o ambiente mais favorável para os ativos brasileiros está impulsionando a confiança dos profissionais de investimento e abrindo espaço para uma retomada gradual da exposição à Bolsa, com os investidores atentos aos desdobramentos políticos e fiscais. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times