A AST SpaceMobile, empresa que desenvolve uma rede de banda larga celular baseada no espaço, está avaliando o uso do foguete Vulcan para o envio de parte de sua constelação à órbita. O veículo de lançamento pertence à United Launch Alliance (ULA), uma joint venture entre a Lockheed Martin e a Boeing que atua como uma das principais provedoras de acesso ao espaço nos Estados Unidos.

A potencial aproximação entre as duas companhias tem como objetivo principal expandir as opções de lançamento para a infraestrutura da AST SpaceMobile. A construção de uma constelação de satélites exige cadência e previsibilidade, fatores que frequentemente levam as operadoras a buscar múltiplos parceiros de transporte espacial para evitar gargalos operacionais.

A busca por redundância no acesso à órbita

A estratégia de diversificar provedores de lançamento é um movimento estrutural comum entre empresas que dependem da implantação de grandes constelações. Ao considerar o Vulcan, a AST SpaceMobile busca garantir que seu cronograma de implantação não fique refém da disponibilidade de um único veículo ou empresa no mercado.

O Vulcan representa a nova geração de foguetes de carga pesada da ULA, projetado para substituir os veículos legados da companhia e competir no mercado comercial e governamental. Para operadoras de satélites, a entrada e estabilização de novos veículos de carga pesada no mercado oferecem uma alternativa crítica para o escoamento de hardware espacial, especialmente em um cenário onde a demanda por lançamentos cresce rapidamente.

A infraestrutura para conectividade direta

O modelo de negócios da AST SpaceMobile baseia-se na tecnologia "direct-to-device", que visa conectar smartphones comuns diretamente a satélites, eliminando a necessidade de torres de celular terrestres em áreas remotas. A viabilidade dessa rede depende da colocação de satélites de grande porte e alta complexidade em órbita baixa da Terra.

Garantir espaço em manifestos de lançamento de foguetes com alta capacidade de carga é, portanto, um passo fundamental para a execução técnica e comercial desse tipo de projeto. A negociação com provedores estabelecidos como a ULA reflete a necessidade de alinhar a produção de satélites com a infraestrutura de transporte disponível.

O desenvolvimento das constelações de conectividade direta continua a expor a interdependência entre as operadoras de satélites e a indústria de foguetes. A capacidade de assegurar contratos de lançamento diversificados permanece como um dos principais indicadores da viabilidade operacional de longo prazo no setor espacial.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · SpaceNews