A Aurex, fintech fundada por Felipe Sabino e Lisandra Pereira, emerge no mercado de câmbio B2B com uma proposta focada em eficiência operacional. Segundo reportagem do Startups, a empresa utiliza inteligência artificial para automatizar a jornada do cliente, desde o onboarding até a execução de transferências, contornando a rede SWIFT por meio de stablecoins. Em operação desde o ano passado, a startup já movimentou mais de R$ 100 milhões e mantém um modelo de negócio rentável desde o início.
O diferencial da Aurex reside na integração tecnológica para orquestrar operações de câmbio. Ao comparar cotações entre 14 provedores contratados, a plataforma promete reduzir a fricção e o custo associados ao modelo bancário convencional. A tese central é que a automação permite escalar o atendimento, uma dificuldade histórica para instituições tradicionais que dependem de processos manuais e burocráticos.
A origem da tese de mercado
Felipe Sabino, ex-executivo de instituições como Itaú BBA e XP, desenvolveu a ideia a partir da observação de lacunas no atendimento a empresas estrangeiras que buscavam atuar na América Latina. A dificuldade em escalar o relacionamento bancário tradicional para múltiplos países simultaneamente revelou a necessidade de uma solução tecnológica que pudesse atuar onde a gestão humana se torna ineficiente.
O foco da fintech são empresas médias, com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 200 milhões. Nesse segmento, a tomada de decisão é centralizada, e a busca por taxas competitivas e agilidade é constante. A Aurex atua tanto no atendimento direto quanto no modelo B2B2C, permitindo que escritórios de investimento e outras instituições ofereçam serviços de câmbio sob seu próprio selo.
O mecanismo da operação
A inteligência artificial da Aurex é aplicada para qualificar clientes e processar documentos de forma autônoma. Ao automatizar a leitura de fichas cadastrais, a plataforma acelera o tempo de resposta, um gargalo crítico para tesourarias corporativas. A utilização de stablecoins para liquidação é o motor que viabiliza transferências fora do sistema SWIFT, garantindo maior velocidade e rastreabilidade.
Atualmente, a empresa mantém cinco provedores ativos, o que garante capilaridade para operações em mais de 90 países. O modelo de negócio busca equilibrar a agilidade dos ativos digitais com a conformidade necessária para transações de grande porte, operando como um orquestrador que seleciona o melhor preço disponível no ecossistema de parceiros conectados.
Desafios e regulação
O principal obstáculo para a expansão da Aurex não é a tecnologia, mas o licenciamento junto ao Banco Central. Enquanto a startup utiliza licenças de prestadora de serviços de ativos virtuais, o objetivo é obter uma licença bancária plena. A autorização é vista como um pré-requisito para atrair clientes de grande porte, como empresas listadas em bolsa, que exigem maior segurança regulatória.
O roadmap de crescimento inclui a expansão para México, Argentina e Chile, além de uma estrutura nos Estados Unidos. A empresa já mapeou bilhões de reais em volume de câmbio em sua base de clientes, que aguardam apenas a adequação regulatória para serem transacionados, posicionando a Aurex para um salto de escala no médio prazo.
Perspectivas futuras
Apesar do interesse de investidores e instituições financeiras, a Aurex prioriza o chamado smart money. A busca por sócios que agreguem networking e suporte regulatório é mais relevante para o momento da empresa do que a injeção de capital imediata. A capacidade de manter a rentabilidade enquanto navega pela complexidade burocrática definirá o ritmo do crescimento até 2028.
O sucesso da fintech dependerá da velocidade com que conseguirá transpor as barreiras regulatórias e da aceitação das stablecoins por tesourarias corporativas mais conservadoras. O mercado observa se a automação via IA será suficiente para transformar a infraestrutura de pagamentos transfronteiriços no Brasil.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Startups





