A União de Profissionais e Trabalhadores Autônomos (UPTA) da Espanha projeta um cenário de expansão significativa para os empreendedores estrangeiros no país. Segundo a organização, o número de trabalhadores autônomos de outras nacionalidades deve saltar dos atuais 537.660 para mais de 750.000 até 2031. Essa projeção, baseada em um crescimento médio anual de 7% — inferior ao ritmo atual —, indica a incorporação de aproximadamente 216.000 novos empreendedores estrangeiros nos próximos cinco anos. O ritmo de crescimento já é notável, com um aumento de cerca de 81.000 autônomos estrangeiros nos últimos dois anos, o que representa uma alta de aproximadamente 18%. O ritmo interanual acelerou de 6,9% em agosto de 2025 para 10,3% em agosto deste ano, segundo a UPTA.

Diversificação setorial e impacto rural

A análise da UPTA revela uma mudança no perfil desses empreendedores, que não se concentram mais unicamente em setores tradicionais como hotelaria, comércio ou construção. Atualmente, os estrangeiros já representam parcelas expressivas em áreas como Telecomunicações e Programação Informática (33,5%), Hosteleria (25,7%), Atividades Administrativas (19,8%), Construção (19%) e Atividades Imobiliárias (18,5%). Além disso, a organização destaca o peso crescente desses trabalhadores em atividades ligadas ao meio rural, como Agricultura (28,1%) e o Sistema Especial Agrário (39,2%).

Potencial para o interior espanhol

Essa tendência de diversificação e crescimento é vista pela UPTA como uma oportunidade crucial para a revitalização de municípios rurais. Com o envelhecimento da força de trabalho local e a falta de sucessão geracional, a incorporação de empreendedores estrangeiros pode ser fundamental para manter atividades e serviços essenciais em funcionamento. A organização ressalta que esses novos empreendedores podem contribuir para a fixação de população no interior e para a continuidade de negócios básicos.

Propostas para fomentar o empreendedorismo estrangeiro

Diante desse cenário, a UPTA faz um apelo por uma estratégia específica voltada ao fomento do empreendedorismo estrangeiro, com atenção especial às zonas rurais. As propostas incluem a oferta de formação, a acreditação de competências, o acesso a aconselhamento especializado, linhas de financiamento adequadas e acompanhamento durante os primeiros anos de atividade. O presidente da UPTA, Eduardo Abad, enfatiza que a Espanha deve aproveitar esse "potencial empreendedor" não apenas para suprir a demanda por novos negócios, mas também para facilitar o relevo em empresas cujos proprietários estão próximos da aposentadoria.

Perguntas em aberto e próximos passos

A projeção da UPTA lança luz sobre o papel cada vez mais relevante dos imigrantes no tecido econômico espanhol, especialmente no que tange à criação de novas empresas e à sustentabilidade de negócios em áreas menos dinâmicas. Fica a questão sobre a eficácia das políticas públicas em atender a essa demanda crescente e se a estrutura atual de apoio ao empreendedorismo será suficiente para capturar todo o potencial projetado. A adaptação das políticas de imigração e de fomento empresarial será crucial para que a Espanha colha os frutos desse dinamismo.

A expansão do empreendedorismo estrangeiro na Espanha, conforme projetado pela UPTA, aponta para uma força de trabalho mais diversa e resiliente, capaz de preencher lacunas econômicas e sociais, especialmente em regiões com desafios demográficos. A capacidade do governo e das instituições em responder proativamente a essa tendência determinará o sucesso de sua integração e o impacto a longo prazo na economia do país.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España