A marca de malas de viagem Away está explorando um novo modelo de negócio com o lançamento do Away Reclaimed, uma plataforma dedicada à venda de produtos que apresentam pequenos defeitos estéticos, como arranhões ou amassados, e que, portanto, não podem ser vendidos como novos. Esta iniciativa surge em um contexto de crescente conscientização sobre sustentabilidade e o impacto ambiental do varejo, especialmente no que diz respeito a produtos devolvidos por clientes.
O Problema dos Retornos no Varejo
O varejo global enfrenta um desafio significativo com o volume de mercadorias devolvidas. Estima-se que, até 2025, os varejistas dos EUA prevejam que 15,8% de suas vendas anuais serão retornadas, totalizando US$ 849,9 bilhões. Grande parte desses itens devolvidos acaba não retornando às prateleiras, sendo muitas vezes liquidados para varejistas de baixo custo, doados ou, em último caso, descartados em aterros sanitários. Segundo a Optoro, uma empresa de logística reversa, cerca de 9,6 bilhões de libras de produtos acabam em aterros anualmente apenas nos Estados Unidos. Este cenário representa não apenas um problema ambiental, mas também uma perda financeira considerável para as marcas, que precisam gerenciar esses retornos e encontrar soluções para o inventário que não pode ser revendido.
Away Reclaimed: Uma Solução Sustentável e Comercial
Em resposta a essa realidade, a Away decidiu criar o Reclaimed. A plataforma recebe inventário de clientes que exerceram o direito de devolução em até 100 dias, bem como unidades remanescentes de edições limitadas ou colaborações que não foram vendidas. Além de malas, o site também oferece mochilas, totes e duffles. A empresa planeja expandir o catálogo com um "Arquivo de Funcionários", que incluirá bagagens testadas pela equipe e amostras de produção únicas. Ao dar um destino a esses produtos, a Away não só reduz o desperdício, mas também abre um novo fluxo de receita. Jessica Schinazi, CEO da Away, vê o Reclaimed como uma porta de entrada para novos consumidores que buscam produtos mais acessíveis, com o potencial de convertê-los em clientes leais a longo prazo.
Mecanismos e Operação da Plataforma
A construção do Reclaimed envolveu uma parceria com a Trove, uma empresa que já gerencia programas de revenda para outras marcas como Carhartt e Eileen Fisher. A Away estabeleceu um centro de logística reversa dedicado onde cada produto é inspecionado, limpo, recondicionado e classificado em uma escala de três pontos: "excelente" (essencialmente novo), "bom" (com desgaste visível) e "aceitável" (com desgaste mais acentuado). Componentes como rodas, alças e forros são substituídos quando necessário para garantir a funcionalidade. "Se o item não está funcionando como deveria, nós não o venderemos de forma alguma pelo Reclaimed", afirma Schinazi. "Se houver um zíper emperrado, nunca venderemos um produto assim." O sucesso inicial da plataforma foi notável: em agosto, a Away soft-launched o Reclaimed sem marketing, e 80% do inventário inicial foi vendido em duas semanas. As taxas de devolução de compras no Reclaimed têm sido baixas, e alguns clientes já retornaram para adquirir um segundo item.
Implicações e Futuro do Modelo
O principal fator limitante para o Reclaimed, no momento, é a oferta, uma vez que o inventário depende diretamente das devoluções de clientes. A empresa está explorando um programa de recompra para adquirir malas que os clientes já possuem há anos. Um evento recente, "Trade In, Trade Up", permitiu que clientes trocassem malas de qualquer marca por um desconto em novos modelos da série 3 da Away, com o objetivo de coletar dados para futuros programas de trade-in que possam alimentar o Reclaimed. Embora exista o risco teórico de canibalização das vendas de produtos novos, a Away acredita que o Reclaimed servirá como um ponto de entrada, especialmente para consumidores mais jovens que buscam economizar. A expectativa é que, ao experimentar a qualidade dos produtos Away através do Reclaimed, esses consumidores se tornem compradores fiéis de itens novos no futuro, impulsionados tanto pelo interesse em sustentabilidade quanto pela necessidade de otimizar seus gastos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company Design





