O Itaú BBA publicou uma tese de investimento otimista para a Axia Energia (AXIA3), projetando um potencial de distribuição de até R$ 20 bilhões por ano em dividendos entre 2027 e 2030. O valor representaria um dividend yield médio de 13%, caso o cenário-base do banco para os preços de energia se concretize. Como resultado, a instituição elevou o preço-alvo da companhia para R$ 75,20 ao fim de 2026, um salto em relação aos R$ 50,30 anteriores, e manteve a recomendação de compra.
O novo alvo sugere um potencial de valorização de 41,7% sobre a cotação atual. A leitura do banco é que a combinação de forte geração de caixa e fundamentos favoráveis cria um ponto de entrada atrativo. A tese central, no entanto, é que o mercado ainda não precificou corretamente o valor estratégico dos ativos da Axia, criando uma dissonância entre o preço na tela e o valor intrínseco de longo prazo.
O valor da flexibilidade
Para o Itaú BBA, o mercado tem dado peso excessivo aos preços de energia no curto prazo, tratando a volatilidade recente das ações como um reflexo direto dessa dinâmica. A análise do banco, contudo, vai além. O argumento é que o valor principal do portfólio da Axia reside em sua disponibilidade e flexibilidade de geração, características que se tornarão cada vez mais cruciais.
Com as mudanças no balanço intradiário de energia e a crescente necessidade de geração flexível no Sistema Interligado Nacional (SIN), os ativos da Axia ganham uma nova dimensão estratégica. Nesse contexto, a posição descontratada da companhia não é vista como uma simples aposta na curva futura de preços, mas como uma exposição valiosa às mudanças na ordem de mérito dos recursos de geração.
Dividendo vs. Volatilidade
É essa tese estrutural que sustenta a projeção de dividendos bilionários e uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real estimada em 12,7% para a ação. A forte capacidade de geração de caixa, quando combinada com a crescente demanda por flexibilidade, posiciona a Axia como uma oportunidade singular, na visão do banco.
Curiosamente, no dia da publicação do relatório, as ações da companhia operavam em queda de 2,6%, cotadas a R$ 51,63, ilustrando o ceticismo do mercado. O Itaú BBA interpreta essa volatilidade como uma janela de oportunidade, argumentando que a visão de curto prazo dos investidores abre espaço para a captura de valor por quem aposta na tese de longo prazo.
A questão que fica no ar é se o mercado irá, eventualmente, incorporar a visão estrutural do BBA em sua precificação ou se a negociação dos papéis continuará atrelada às oscilações diárias dos preços de energia. Por ora, há uma clara divergência entre a análise fundamentalista e o sentimento do pregão.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





