A gestora independente Azvalor Asset Management destacou-se como a mais rentável da Espanha em agosto, alcançando um avanço de 5,40% em seus fundos. O desempenho a colocou à frente de outras casas de perfil semelhante, como a Magallanes Value Investors (3,79%) e a Muza Gestión de Activos (3,66%), consolidando um bom mês para as estratégias de 'value investing'.

Os dados, compilados pela consultoria Vdos e reportados pela Forbes España, revelam uma dinâmica clássica do mercado de gestão de ativos: enquanto gestoras de nicho e especializadas lideram em performance, os grandes conglomerados financeiros continuam a dominar em volume. A performance da Azvalor sugere que o momento foi positivo para teses de investimento focadas em valor, especialmente em um cenário onde categorias como renda variável internacional de tecnologia e da região Ásia-Pacífico também registraram fortes ganhos.

A performance não dita o fluxo

Apesar do retorno expressivo das gestoras de 'value', o fluxo de capital dos investidores espanhóis seguiu um caminho mais conservador. As maiores captações líquidas do mês foram direcionadas para a categoria de renda fixa de curto prazo em euro, que atraiu 318 milhões de euros. Fundos mistos conservadores e flexíveis também registraram entradas relevantes, com 203 milhões e 202 milhões de euros, respectivamente.

A leitura é que, em um ambiente de incerteza, a segurança e a liquidez ainda pesam mais na decisão da maioria dos investidores do que a busca por retornos mais altos. Esse movimento beneficia diretamente os grandes grupos bancários, que possuem uma capilaridade de distribuição imbatível para esses produtos de prateleira.

O domínio estrutural dos bancos

O domínio dos bancos no mercado de fundos espanhol permanece inabalado. Juntos, os grupos bancários detêm uma fatia de 74,3% do mercado, com um patrimônio total de 361,3 bilhões de euros. A liderança é do CaixaBank, com 112,5 bilhões de euros sob gestão (23,15% de market share), seguido por Santander e BBVA. Enquanto isso, gestoras independentes como a Azvalor representam uma fatia de apenas 8,92% do total.

Essa concentração evidencia o poder da distribuição. Mesmo com gestoras como a Mapfre Asset Management, um braço de um grande grupo, registrando um retorno modesto de 1,03% em agosto, os bancos continuaram a ser os principais receptores de novos recursos. A estrutura do mercado mostra que, para a maior parte do varejo, a conveniência e a confiança na marca do banco superam a análise de performance de gestoras especializadas.

O cenário espanhol serve como um espelho para outros mercados, incluindo o brasileiro, onde a disputa entre a agilidade e a especialização das gestoras independentes e a escala monumental dos grandes bancos define a dinâmica da indústria de fundos. A questão que permanece é se a performance superior e consistente das boutiques será capaz, no longo prazo, de erodir a dominância estrutural da distribuição bancária.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España