O que foi anunciado como a criação da maior 'house of brands' de moda do Brasil durou pouco. A Azzas 2154, holding formada pela união da Arezzo&Co com o Grupo Soma, comunicou ao mercado o plano para reverter a fusão. O acordo, celebrado entre os acionistas de referência Alexandre Birman e Roberto Jatahy, prevê a cisão da companhia em duas empresas abertas independentes, retomando as estruturas originais de Arezzo&Co e SOMA, cada uma com listagem própria no Novo Mercado da B3.
O movimento, segundo o fato relevante, busca permitir que cada negócio opere com administração separada, focando em seus respectivos modelos e oportunidades. Para o mercado, no entanto, a notícia confirma os ruídos sobre conflitos estratégicos e culturais que pairavam sobre a megafusão desde o início. A separação é a admissão de que, neste caso, a soma das partes pode valer mais do que o todo.
O peso das culturas
A fusão uniu dois impérios com lógicas distintas. De um lado, a Arezzo&Co, uma máquina de escala em calçados e vestuário de massa, com marcas como Arezzo, Schutz e Hering, fortemente baseada em franquias e grande volume. Do outro, o Grupo Soma, um portfólio de marcas de desejo com forte identidade de fundador, como Animale, Cris Barros e Reserva, cujo valor reside na exclusividade e na comunidade. A promessa era combinar a eficiência operacional da Arezzo com a força de marca do Soma.
A realidade, ao que tudo indica, foi um choque de gestão. A solução encontrada para a Farm Rio, a joia da coroa, é sintomática: a marca será uma sociedade à parte, com 57,4% detidos pela Arezzo&Co e 42,6% pela SOMA, mas com governança própria. A leitura é que a cultura única da Farm, um ativo valiosíssimo, resistiu à integração total em qualquer uma das duas estruturas, exigindo um arranjo sob medida para preservar seu DNA.
Destravar valor ou admitir o erro?
O argumento oficial para a cisão é o de destravar valor, permitindo que investidores apostem de forma mais direta em cada tese de negócio: a de escala e a de luxo acessível. A separação pode, de fato, simplificar a análise e atrair capital mais especializado para cada uma das companhias. A Arezzo&Co de Birman concentrará calçados, Hering e a maior fatia da Farm, enquanto a SOMA de Jatahy ficará com as marcas de alto valor agregado e a Reserva.
A rapidez do divórcio, contudo, sugere que as sinergias prometidas eram mais complexas de se capturar do que o previsto. O mercado agora irá acompanhar se, operando de forma independente, as duas companhias conseguirão entregar o crescimento que a fusão não foi capaz de catalisar. A aposta dos controladores é que o foco estratégico superará os ganhos de escala que se mostraram ilusórios na prática. Resta saber se os acionistas minoritários concordarão.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





