A presidente do governo das Ilhas Baleares, Marga Prohens, defende uma abordagem pragmática para o futuro do turismo em seu arquipélago, argumentando que a melhor forma de proteger o setor e garantir sua sustentabilidade a longo prazo é através da "gestão de limites". Em sua visão, o modelo de crescimento baseado unicamente no aumento anual de visitantes atingiu seu ápice e agora exige uma transformação rumo a um crescimento em valor, não em volume.
Transformação de um modelo de sucesso
Prohens, que participou do Forbes Economic Summit 2026, destacou que o modelo turístico das Baleares não está esgotado, mas sim em um processo de "transformação inaplazável". A premissa é clara: o sucesso turístico deve se traduzir em uma melhoria da qualidade de vida para os cidadãos, e não apenas em métricas de visitação. A presidente ressalta que é preferível gerenciar o sucesso, com suas inerentes dificuldades, do que enfrentar o fracasso de um modelo obsoleto. A meta é "crescer em valor e não em volume", um mantra que orienta o atual executivo desde 2023. A mudança de padrão de crescimento é vista como essencial, pois o turismo, a sociedade e os desafios globais mudaram nos últimos 25 anos, impossibilitando a repetição dos recordes de visitação ano após ano.
Contenção e otimização, não decrecimento
A líder das Baleares se posiciona firmemente contra o "decrecimento" como solução única para os desafios do turismo, argumentando que tal abordagem poderia gerar mais externalidades negativas. Em vez disso, Prohens defende políticas de "contenção e otimização" de recursos e do retorno gerado pelas visitas. A criação de novas vagas turísticas, por exemplo, só é permitida mediante a baixa de outras já existentes, incentivando a renovação da oferta com acomodações mais modernas e de maior qualidade. É importante ressaltar, no entanto, que "turismo de qualidade" não deve ser confundido com "turismo de luxo", pois as ilhas mantêm seu foco no turismo familiar. Um exemplo prático dessa política foi observado em julho, quando o aumento de chegadas foi inferior a 1% em relação ao ano anterior, enquanto o gasto por turista cresceu 4%, ilustrando a mudança de foco.
Liderança e know-how balear
Prohens também destacou três pilares que considera contribuições valiosas das Baleares para o Estado espanhol: liderança, inovação turística e tradição cultural. Ela enalteceu a "liderança" exercida tanto pelo setor público quanto pelo privado, e a capacidade do arquipélago de ser um "exportador de know-how", especialmente no setor turístico, que é o motor econômico da região. A presidente citou a família Barceló como um exemplo histórico de excelência no turismo balear. Além disso, reivindicou a "qualidade" dos produtos locais, sejam da indústria ou da gastronomia, feitos com o cuidado e a paciência que caracterizam as atividades em uma ilha.
O futuro em foco
A discussão sobre limites no turismo é um reflexo da busca por um equilíbrio sustentável entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental e social. O desafio agora é consolidar essa transição, garantindo que o crescimento em valor não apenas beneficie a economia, mas também eleve a qualidade de vida dos residentes, mantendo a identidade e o apelo das ilhas para um turismo diversificado e familiar. A gestão ativa e a adaptação contínua serão cruciais para navegar as complexidades do setor.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





