O Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) se posiciona como um elo fundamental entre a Europa e a América Latina, segundo Sergio Díaz-Granados, seu presidente. Em sua visão, a instituição não é apenas uma ponte entre o setor público e o privado, mas um catalisador para aprofundar as relações transatlânticas, visando um futuro de prosperidade compartilhada. A declaração foi feita durante o XVI Encontro Empresarial Ibero-Americano em Madrid, onde Díaz-Granados sublinhou o potencial inexplorado na colaboração entre os dois blocos.

Um Elo Estratégico para a Integração

Díaz-Granados enfatizou que a integração entre Europa e América Latina é crucial para criar mercados mais robustos e dinâmicos, comparáveis em escala aos da China e América do Norte. Ele argumenta que a diferença não reside em inteligência, mas na capacidade de escala e velocidade de crescimento dos negócios. O CAF, com um portfólio de US$ 70 bilhões em ativos e investimentos anuais superiores a US$ 18 bilhões nos últimos três anos, está posicionado para facilitar essa convergência, apoiando iniciativas que promovam a interconexão econômica e comercial.

Ações Concretas e Oportunidades de Mercado

O presidente do CAF destacou os avanços já realizados, como os acordos de "última geração" firmados entre 97% da América Latina e o Caribe com a União Europeia, que juntos somam um mercado de mais de um bilhão de pessoas. Além disso, empresas ibero-americanas investiram mais de US$ 53 bilhões na Europa em 2024, com a Espanha como o segundo destino preferencial. A presença de mais de 1,2 milhão de latino-americanos contribuindo para a Segurança Social espanhola exemplifica a força desse vínculo. Para impulsionar ainda mais o turismo e a economia, o CAF lançará uma nova secretaria técnica para trabalhar com prefeitos de cidades ibero-americanas, focando na conversão do patrimônio histórico e cultural em motores econômicos.

Navegando em um Cenário Global Complexo

Díaz-Granados reconheceu que o cenário macroeconômico atual é desafiador, marcado pela ascensão da inteligência artificial, pela crise climática e por tensões geopolíticas. No entanto, ele vê esses obstáculos não como barreiras intransponíveis, mas como circunstâncias que exigem uma resposta coordenada e estratégica. A proposta do CAF é que empresários e instituições "unham ambas as margens do Atlântico" para mitigar riscos e capitalizar oportunidades, fortalecendo a resiliência e a competitividade mútua em um mundo cada vez mais interconectado e volátil.

O Futuro da Colaboração Transatlântica

A visão de Díaz-Granados para o CAF é clara: ser o facilitador de uma nova era de colaboração entre a Europa e a América Latina. Ao focar na criação de mercados maiores e na integração econômica, o banco busca não apenas aumentar o volume de negócios, mas também promover um desenvolvimento mais equitativo e sustentável em ambas as regiões. A iniciativa de transformar o patrimônio cultural em ativo econômico é um exemplo de como o CAF pretende gerar valor a partir de recursos existentes, fortalecendo a identidade e a prosperidade regional.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España