O Bradesco BBI realizou uma análise sobre o setor de utilities, investigando como empresas de energia e saneamento podem se comportar em um cenário de potencial mudança nas taxas de juros. A conclusão dos analistas Francisco Navarrete, João Fagundes e Matheus Caruso é que o impacto sobre o setor tende a ser desigual, criando oportunidades distintas para diferentes perfis de investidores, dependendo da trajetória dos juros reais de longo prazo.

Empresas com Duration Elevada

Em um cenário de queda dos juros, cinco empresas se destacam pela chamada "duration", que mede a sensibilidade dos preços de seus ativos às taxas de longo prazo. São elas Sabesp (SBSP3), Energisa (ENGI11), Equatorial (EQTL3), Copasa (CSMG3) e Auren (AURE3). Segundo o BBI, os preços-alvo dessas companhias podem subir entre 5% e 6% para cada queda de 0,50 ponto percentual nos juros reais de longo prazo. Esse grupo também apresenta um crescimento real estimado robusto para os próximos anos, com projeções de aumento de 27% a 68% no lucro e de 12% a 30% no Ebitda entre 2026 e 2029.

Cenário de Juros Estáveis ou em Alta

Contudo, caso os juros não caiam, a duration elevada, que seria um ponto positivo, passa a representar um risco. Nesse ambiente, o BBI aponta ISA (ISAE3), Copel (CPLE6) e Axia (AXIA3) como alternativas mais adequadas. Essas empresas combinam menor duration com maior previsibilidade de resultados ou um dividend yield (retorno de dividendos) suficiente para remunerar o investidor durante um período de espera. A escolha entre esses papéis dependerá do apetite do investidor por risco e da sua visão sobre a trajetória futura das taxas de juros.

Resiliência em Diversos Cenários

O banco de investimento também destaca três empresas que considera mais resilientes a diferentes cenários macroeconômicos: Eneva (ENEV3), Sabesp e Copasa. A Eneva se destaca pela previsibilidade de suas receitas, provenientes de capacidade contratada e corrigida pela inflação. Já Sabesp e Copasa apresentam como diferencial a regulação setorial, baseada em suas bases de ativos regulatórios. Isso permite reajustes tarifários anuais e revisões periódicas, conferindo maior previsibilidade ao crescimento dos lucros em comparação com distribuidoras de energia, cujas receitas podem ser mais voláteis.

Perspectivas e Recomendações

As recomendações e os preços-alvo do BBI para essas companhias permanecem inalterados, de acordo com o relatório. A análise tem como objetivo fornecer aos investidores um panorama detalhado sobre quais empresas do setor de utilities estão mais expostas a diferentes fatores macroeconômicos. A combinação desses fatores, e a decisão final de investimento, ficam a critério de cada investidor, que deve ponderar seu próprio perfil de risco e objetivos financeiros. A leitura é que o setor de utilities oferece oportunidades distintas dependendo da visão do investidor sobre a política de juros.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney