O BBVA Research, braço de análise econômica do banco espanhol, divulgou projeções que indicam uma moderação significativa no ritmo de ascensão dos preços de imóveis residenciais. A expectativa é que o crescimento anual, que atingiu 11,5% no ano corrente, desacelere para 5,5% em 2027. Essa revisão é impulsionada por uma conjunção de fatores, incluindo a evolução da renda das famílias, o aumento das taxas de juros e uma esperada moderação no volume de vendas.

Miguel Cardoso, economista-chefe para Espanha e Portugal do BBVA Research, destacou que o aumento recente dos preços, especialmente em termos reais, tem sido expressivo quando comparado à evolução salarial. Este descompasso, aliado ao cenário de juros mais elevados, tende a frear a escalada dos valores. Segundo Cardoso, o desequilíbrio entre o aumento dos preços imobiliários e a renda disponível afeta de maneira particular os jovens e famílias com rendimentos mais baixos, limitando sua capacidade de acesso à moradia.

A análise do BBVA Research também aponta para um desempenho mais fraco do que o antecipado no que diz respeito à construção de novas unidades habitacionais. Nos últimos nove meses, o ritmo de investimento e conclusão de novas moradias tem sido inferior às previsões iniciais. Consequentemente, a projeção para o número de casas terminadas em 2026 e 2027 foi rebaixada. Anteriormente, o banco esperava a conclusão entre 140.000 e 160.000 unidades nesses anos; agora, a estimativa se situa entre 130.000 e 140.000 unidades.

Essa recalibragem das expectativas sinaliza um mercado imobiliário em transição. A euforia recente, alimentada por anos de juros baixos e forte demanda reprimida, parece dar lugar a um período de ajuste. A capacidade de compra, que já vinha sendo testada pela inflação e pelo aumento do custo de vida, agora enfrenta o impacto direto das políticas monetárias mais restritivas. O BBVA Research sugere que o mercado espanhol está se movendo em direção a um equilíbrio mais sustentável, embora isso possa significar um período de menor dinamismo para construtoras e investidores.

A moderação nos preços e a redução na oferta de novas unidades levantam questões sobre a dinâmica futura do mercado. Se a demanda por moradias, especialmente por parte das gerações mais jovens, permanecer resiliente, a desaceleração no ritmo de construção pode, a médio prazo, criar novas pressões sobre os preços em segmentos específicos. A capacidade de resposta do setor de construção a essa demanda futura será um fator crucial a ser observado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España