A Bemobi (BMOB3) está se preparando para uma transformação significativa em seu modelo de negócios, focando na integração de inteligência artificial (IA) para otimizar o pagamento de contas recorrentes. A empresa brasileira de tecnologia, que já atua no setor de pagamentos de contas, planeja lançar experiências de pagamento agêntico ainda em 2026. A ideia é permitir que assistentes virtuais como ChatGPT, Claude e Gemini possam quitar contas de consumidores, uma aposta ousada para o futuro das transações financeiras.
“É difícil imaginar um mundo em que as pessoas paguem contas como pagam hoje”, afirmou Pedro Ripper, CEO e fundador da Bemobi, em entrevista à Bloomberg Línea. “Nós queremos construir a infraestrutura de pagamento de contas que todos os agentes vão usar.” Essa iniciativa representa uma mudança de paradigma, onde a conveniência e a automação impulsionadas pela IA se tornam centrais. A companhia destina uma parcela crescente de seu orçamento anual de capital (capex) para o desenvolvimento em IA, sinalizando a importância estratégica dessa tecnologia para o futuro da empresa. O próprio Ripper já utiliza um agente de IA para gerenciar parte de suas finanças, delegando a revisão de contas e a identificação de cobranças irregulares.
Aposta na Tendência de Pagamento por IA
A Bemobi reconhece que a adoção de pagamentos via IA ainda é incipiente, mas está determinada a liderar essa tendência. Ripper admitiu a possibilidade de errar no timing, mas reforçou que a empresa não pretende ficar de fora dessa revolução. Atualmente, estima-se que entre 10% e 15% das contas não sejam pagas devido a esquecimento ou confusão com datas. A Bemobi acredita possuir as competências necessárias para criar a infraestrutura digital que facilitará esses pagamentos automatizados, embora não descarte aquisições para acelerar o processo. A criação de um arcabouço de confiança e segurança é vista como um desafio crucial, garantindo que os agentes de IA operem de forma confiável e sem cometer erros dispendiosos.
Reinvenção e Crescimento Sustentado
A trajetória da Bemobi tem sido marcada por uma constante reinvenção. Anteriormente conhecida como "Netflix dos Apps", a empresa migrou seu foco para a digitalização de pagamentos de contas recorrentes em setores como telecomunicações, utilities, educação e saúde. Com cinco anos de listagem na B3, a Bemobi se destaca como uma das poucas empresas que abriram capital no período com desempenho positivo, especialmente nos últimos dois anos. Essa resiliência foi testada por eventos como a recuperação judicial da Oi, conflitos geopolíticos e o aumento das taxas de juros. A empresa transformou sua receita: em 2021, 80% vinha da distribuição e pagamento de apps de celular; hoje, pagamentos e SaaS representam 70% da receita líquida. Entre 2020 e 2025, a receita líquida quase triplicou, de R$ 241 milhões para R$ 729 milhões, com um crescimento anual composto de 25%. O Ebitda ajustado mais que dobrou e o lucro líquido quadruplicou.
Expansão em Novas Verticais e Mercados
A Bemobi tem expandido sua atuação para além dos setores tradicionais, com forte penetração em saúde, atendendo clientes como Hapvida e Qualicorp. A empresa também está testando o mercado de condomínios e vê grande potencial na aquisição da Paytime, que mira o mercado B2B2B de ecossistemas e marketplaces. O CEO Pedro Ripper expressou otimismo quanto ao crescimento no Brasil, projetando a possibilidade de quadruplicar o faturamento apenas no mercado nacional, sem depender de expansão internacional imediata, embora esta também seja uma avenida de crescimento observada. Atualmente, 35% da receita da Bemobi provém de fora do Brasil, mas o foco principal, por ora, permanece no potencial de crescimento doméstico, que ainda é considerável.
O Futuro do Pagamento e o Papel da IA
A Bemobi se posiciona na vanguarda da revolução dos pagamentos, apostando que a inteligência artificial será fundamental para o futuro. A empresa busca não apenas otimizar processos existentes, mas criar novas formas de interação entre consumidores e serviços financeiros. A capacidade de antecipar tendências e adaptar seu modelo de negócios tem sido um diferencial competitivo. O desafio agora é executar a visão de pagamentos agênticos, construindo a infraestrutura de confiança e segurança necessária para que essa tecnologia seja amplamente adotada. O caminho é pavimentado com inovação e um olhar atento às necessidades futuras dos consumidores e das empresas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Bloomberg Línea





