O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reafirmou durante audiência no Congresso que a administração Trump não pretende elevar impostos nem reduzir benefícios do Social Security, apesar da crescente pressão sobre o fundo previdenciário. Em meio ao ingresso diário de 10 mil baby boomers no sistema, Bessent defendeu que a solução para o déficit de US$ 39 trilhões não reside em ajustes fiscais tradicionais, mas em uma aceleração robusta da economia.
Segundo reportagem da Fortune, o secretário sustentou que o país enfrenta um problema de crescimento e gastos, e não de arrecadação. A tese central da gestão é que políticas de desregulamentação e cortes de impostos fomentarão uma expansão econômica capaz de sustentar o sistema sem a necessidade de medidas impopulares que impactem diretamente o cidadão sênior.
A estratégia 3-3-3 como pilar fiscal
O plano de Bessent baseia-se na estrutura chamada "3-3-3", que prevê um crescimento real do PIB de 3% ao ano, déficits limitados a 3% do PIB e um aumento na produção de energia doméstica de 3 milhões de barris diários. A lógica é que esse cenário estabilizaria a dívida nacional em torno de 100% do PIB, criando um ambiente de maior produtividade e investimento.
Críticos, incluindo analistas do Committee for a Responsible Federal Budget (CRFB), apontam que essa aposta ignora a realidade aritmética atual. Com déficits elevados e custos de juros em ascensão, a dependência exclusiva do crescimento é vista por especialistas como insuficiente para cobrir o rombo atuarial do Social Security e do Medicare, que enfrenta deterioração acelerada.
O impasse entre promessas e números
O relatório mais recente dos administradores do Medicare projeta que o fundo de seguro hospitalar será exaurido em 2040, quatro anos antes do previsto anteriormente. Esse cenário é agravado pela redução no fluxo de impostos sobre a folha de pagamento após os cortes tributários da era Trump, criando uma tensão direta entre as metas políticas e as projeções de longo prazo.
Bessent tem rebatido duramente as críticas de organizações fiscais, chegando a questionar a credibilidade de nomes como Maya MacGuineas, presidente do CRFB. Para o secretário, a receita proveniente de tarifas e o dinamismo do mercado de trabalho são os motores que garantirão a solvência do sistema, mantendo as linhas vermelhas estabelecidas pelo presidente Trump.
Perspectivas alternativas e o futuro do sistema
Dentro do Partido Republicano, surgem discussões sobre modelos alternativos, como a iniciativa de "contas Trump" mencionada pelo senador Ted Cruz. Inspirado vagamente no sistema de previdência da Austrália, o conceito sugere a transição para contas de investimento individuais, o que representaria uma mudança estrutural profunda em relação ao modelo original do New Deal de Franklin D. Roosevelt.
Embora o governo evite discutir privatizações ou reformas paramétricas, o debate sobre a sustentabilidade do Social Security permanece no centro da agenda política. A questão fundamental que persiste é se o crescimento econômico projetado será capaz de superar as pressões demográficas sem que o governo precise recorrer a ajustes nas contribuições ou benefícios.
O desenrolar dessa aposta econômica definirá não apenas a saúde fiscal dos Estados Unidos na próxima década, mas também a viabilidade política da estratégia de crescimento adotada pela atual gestão. O mercado e os analistas aguardam para ver se a realidade econômica confirmará a confiança do Tesouro ou se novos ajustes serão inevitáveis.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





