Jeff Bezos, o fundador da Amazon, é parte de um consórcio que adquiriu uma participação de 38% no Liverpool FC, um dos clubes mais valiosos e vitoriosos da Inglaterra. O acordo, que inclui uma opção de compra do controle majoritário em até 12 meses, foi noticiado pelo Front Office Sports.
A transação não é apenas mais um movimento de um bilionário no esporte. Sua relevância está na intersecção com os negócios da Amazon: o Prime Video, seu braço de streaming, detém os direitos de transmissão dos jogos de terça-feira da Champions League no Reino Unido. A estrutura cria um potencial conflito de interesse que, embora comum nos Estados Unidos, é um território novo e sensível para o futebol inglês.
O Dono do Time e do Canal
Nos EUA, é comum que conglomerados de mídia sejam donos de times cujos jogos eles mesmos transmitem. A Fox já foi dona do time de beisebol Los Angeles Dodgers, e Ted Turner comprou o Atlanta Braves para exibi-lo em seus canais. A lógica é de sinergia vertical. No futebol europeu, contudo, a prática é vista com desconfiança por seu potencial de distorcer a competição.
Especialistas apontam que a Amazon poderia, por exemplo, favorecer a produção de conteúdo sobre o Liverpool em detrimento de seus rivais, utilizando sua vasta plataforma para promover o clube. Bezos, mesmo afastado do dia a dia da Amazon, permanece como seu maior acionista individual e membro do conselho, que supervisiona o Prime Video. Essa sobreposição de interesses coloca em xeque a isonomia nas negociações futuras de direitos de transmissão de toda a liga.
O Precedente de Murdoch
O cenário atual evoca um caso emblemático de 1999, quando reguladores britânicos bloquearam a tentativa de Rupert Murdoch de comprar o Manchester United através de sua empresa de mídia, a BSkyB. A justificativa foi justamente o risco de criar uma vantagem injusta nas negociações de direitos televisivos e, consequentemente, prejudicar a concorrência tanto no mercado de mídia quanto no futebolístico.
O acordo envolvendo Bezos será agora analisado pelas autoridades do futebol britânico, incluindo o novo Regulador Independente do Futebol e a própria Premier League. O desafio é que as regras atuais podem não ser adequadas para avaliar este tipo de conflito. A decisão que for tomada não afetará apenas o Liverpool, mas estabelecerá um precedente crucial para a entrada de outras gigantes de tecnologia no esporte mais popular do mundo.
A chegada de Bezos ao topo do futebol inglês é menos sobre a compra de um ativo e mais sobre a colisão entre big tech, mídia e a governança esportiva. A questão que fica para os reguladores não é se o investimento é bom para o Liverpool, mas se a estrutura de poder que ele cria é saudável para o ecossistema do futebol como um todo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Front Office Sports





