O Bjarke Ingels Group (BIG) concluiu a nova sede da Dymak em Odense, Dinamarca, consolidando um projeto de 2.800 metros quadrados que vai além da função corporativa tradicional. O edifício, estrategicamente posicionado entre um distrito industrial e a paisagem natural do Lago Glisholm, foi concebido para servir como uma vitrine em escala real dos materiais fornecidos pela própria empresa. Segundo reportagem do Designboom, a estrutura circular centraliza a vida cotidiana em um pátio arborizado, integrando luz natural e espaços de convivência em um ambiente que prioriza o bem-estar dos ocupantes.

O grande diferencial desta obra reside na aplicação de materiais como madeira maciça, argila, cortiça e fibras de algas como elementos estruturais e de acabamento. Em vez de utilizar catálogos impressos ou amostras isoladas em showrooms, a Dymak optou por habitar seu próprio inventário, permitindo que funcionários e visitantes experimentem a performance desses insumos no uso diário. A abordagem transforma o conceito de catálogo de vendas em uma experiência arquitetônica imersiva e tangível.

Arquitetura como performance e catálogo

A escolha dos materiais não é apenas estética, mas um exercício de demonstração técnica. Ao utilizar fibras de papel reciclado nos tetos e madeira de engenharia na estrutura, o BIG busca provar a viabilidade desses elementos em grandes vãos e áreas de alto tráfego. Esse movimento reflete uma tendência crescente na arquitetura corporativa europeia, onde a sustentabilidade deixa de ser um selo burocrático para se tornar o núcleo da identidade da empresa.

A geometria circular do prédio, com seu pátio interno, atua como um ponto de referência visual constante para os colaboradores. O uso de pisos de tijolo que se estendem do interior para o exterior reforça a conexão com o entorno, criando uma transição suave entre o espaço de trabalho e a natureza, além de facilitar encontros informais em uma configuração que remete a um anfiteatro.

Otimização energética e design responsivo

A forma do edifício é ditada por necessidades de performance ambiental. O telhado ondulado eleva-se ao norte para capturar vistas da floresta, enquanto declina em direção ao sul, reduzindo o ganho térmico e protegendo o espaço interno do ruído rodoviário. Essa inclinação não é aleatória: ela otimiza a instalação de cerca de 880 painéis fotovoltaicos personalizados, garantindo que a geração de energia renovável seja integrada à estética da cobertura.

O sistema de fachada, composto por uma malha de madeira e vidro, atua como um filtro solar dinâmico. A densidade das aletas verticais aumenta na elevação sul para regular a temperatura e diminui ao norte para maximizar a entrada de luz. Esse controle passivo de calor e luz demonstra como o design pode reduzir a dependência de sistemas mecânicos de climatização, mantendo o conforto térmico através da inteligência geométrica.

Impacto para o ecossistema corporativo

O projeto já conquistou certificações DGNB Gold, Heart e Diamond, que atestam a qualidade arquitetônica e o compromisso com o bem-estar humano. Para o mercado, a sede da Dymak serve como um estudo de caso sobre como fabricantes podem utilizar suas próprias instalações para validar a qualidade de seus produtos. A leitura aqui é que a transparência na cadeia de suprimentos passa a ser exercida através da ocupação física.

Para reguladores e competidores, a obra destaca a viabilidade de edifícios de baixo impacto que não sacrificam a funcionalidade. Ao integrar soluções de drenagem de água da chuva e paisagismo nativo, o BIG demonstra que a infraestrutura corporativa pode atuar de forma regenerativa com o ecossistema local, servindo de modelo para futuras construções em zonas de transição entre o industrial e o natural.

O futuro dos espaços de trabalho

Permanece a questão de como a manutenção desses materiais naturais, como a cortiça e a argila, responderá ao longo dos anos em um ambiente de uso intenso. O sucesso da Dymak dependerá da durabilidade real dessas soluções frente ao desgaste diário de uma sede administrativa.

O mercado observará se essa estratégia de "showroom habitável" será replicada por outras empresas do setor de materiais. Se a experiência dinamarquesa for bem-sucedida, a tendência é que o design corporativo se torne cada vez mais uma extensão da própria linha de produtos das companhias.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Designboom