O Brasil possui os atributos necessários para atrair investimentos significativos no campo da inteligência artificial (IA), mas a forma como o país se posicionará competitivamente no cenário global é a questão central. Essa é a visão de Bruno Barino, presidente-executivo da BlackRock Brasil, que participou de um evento da Monte Bravo em São Paulo. Segundo ele, a capacidade brasileira em geração de energia e infraestrutura são diferenciais importantes para a cadeia de IA, que demanda recursos intensivos.

Barino ressaltou que a complexidade em obter acesso a energia confiável em muitas localidades torna a vantagem brasileira ainda mais relevante. No entanto, para capitalizar plenamente esse potencial, o país precisa desenvolver um arcabouço regulatório adequado e aprimorar sua capacidade de competir por recursos em escala mundial. A gestão de ativos, como a BlackRock, está atenta a essas dinâmicas e busca entender como os mercados emergentes, como o Brasil, podem se integrar e prosperar nesse ecossistema tecnológico em rápida expansão.

Uma característica favorável da cadeia de IA, segundo o executivo, é que muitas operações são denominadas em dólar. Isso significa que os investimentos nessa área já possuem um certo hedge cambial intrínseco, mitigando parte do risco associado à volatilidade da moeda local. Essa característica pode tornar o Brasil um destino mais atraente para capital internacional, mesmo diante de incertezas econômicas.

Contrariando visões de uma possível bolha especulativa em torno da IA, a BlackRock não enxerga esse cenário. Barino admitiu que há um "ramp-up" de custos associado ao desenvolvimento e implementação de tecnologias de IA. Contudo, ele projeta que os benefícios em termos de produtividade em toda a cadeia de valor da inteligência artificial começarão a ser observados em breve, justificando o investimento contínuo e a expansão do setor.

O potencial financeiro da IA é colossal. Barino estima que a cadeia completa da inteligência artificial, desde a infraestrutura de data centers até as aplicações finais, deverá atrair um volume de investimento entre US$ 5 trilhões e US$ 8 trilhões nos próximos quatro a cinco anos. Essa magnitude de capital tem o poder de reconfigurar completamente o panorama econômico e produtivo global, criando novas indústrias e transformando as existentes.

O desafio para o Brasil, portanto, reside em criar as condições ideais para capturar uma fatia desse mercado bilionário. Isso envolve não apenas a exploração de suas vantagens naturais, como a energia, mas também a construção de um ambiente regulatório que inspire confiança e atraia talentos e capital. A colaboração entre o setor público e privado será crucial para definir as estratégias de posicionamento e garantir que o país não apenas participe, mas lidere em nichos específicos da revolução da IA.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney