O Bradesco está redefinindo o papel da governança de Tecnologia da Informação (TI) em sua estratégia de inovação. Em vez de atuar como uma barreira de controle ao final dos processos de desenvolvimento, o banco adota o conceito de "Governance by Design", buscando incorporar segurança, risco, arquitetura, conformidade e resiliência desde a concepção de novas soluções. O objetivo é permitir que a velocidade da transformação tecnológica, impulsionada pela inteligência artificial, cloud e automação, caminhe lado a lado com a robustez e a segurança operacional.
Governança como Diferencial Competitivo
A diretora de TI do Bradesco, Cristina Pinna, destaca que velocidade e controle não são objetivos conflitantes, mas sim complementares. A nova abordagem visa construir um modelo que entregue ambos simultaneamente, com uma visão clara dos riscos e controles proporcionais à sua criticidade. Essa integração transforma a governança de TI em um diferencial competitivo, afastando-se de um modelo focado em aprovações manuais para uma incorporação transparente de requisitos nas esteiras de desenvolvimento automatizadas e plataformas tecnológicas. Dessa forma, as soluções nascem "governadas e seguras por construção", segundo Pinna. A automação intensiva, DevSecOps e a observabilidade contínua são ferramentas chave para garantir a aderência aos padrões corporativos desde o início, acelerando a inovação sem comprometer a confiabilidade.
Mudança de Mentalidade e Modelo Operacional
A transformação na governança de TI do Bradesco exigiu uma mudança significativa de mentalidade e de modelo operacional. Historicamente, a governança era vista como uma função centralizadora, focada em aprovações e controles. Em um cenário digital dinâmico, com ciclos rápidos e a crescente adoção de IA e cloud, esse modelo se tornou insuficiente. O banco evoluiu para uma governança mais integrada à execução, estabelecendo diretrizes e "guardrails" que permitem às equipes inovar dentro de limites claros e alinhados aos controles inegociáveis. A proximidade com áreas como operações, infraestrutura, cibersegurança e arquitetura, além das áreas de negócio, permite antecipar riscos e construir processos em conjunto, posicionando a governança como parceira da execução.
Foco na Geração de Valor para o Negócio
A governança de TI no Bradesco agora tem como missão principal criar as condições para que o negócio capture valor da tecnologia de forma sustentável. Isso envolve participar da definição de prioridades, apoiar decisões estratégicas e direcionar investimentos para iniciativas com maior potencial de impacto, utilizando dados e métricas de experiência do cliente, produtividade e lead time. A área acompanha a execução de forma propositiva, observando continuamente a captura do valor planejado e antecipando riscos e interdependências. O sucesso de TI, na visão da executiva, deixou de ser apenas a entrega de projetos e passou a ser a geração de resultados concretos para a organização.
Desafios da IA e a Busca por Equilíbrio
Um dos desafios emergentes para a governança de TI, especialmente com a evolução da IA agêntica, é estabelecer limites, rastreabilidade e supervisão para sistemas autônomos. A capacidade dessas IAs de tomar decisões e executar ações com crescente autonomia exige um novo nível de atenção para garantir que operem dentro de parâmetros éticos e de segurança. O Bradesco busca um equilíbrio delicado: aumentar a velocidade da transformação tecnológica sem flexibilizar aspectos críticos como segurança e resiliência operacional. A estratégia de "Governance by Design" é a resposta do banco para navegar essa complexidade, assegurando que a inovação e o controle caminhem juntos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





