O Brasil emerge como um protagonista inesperado no cenário global do comércio agêntico, um segmento em rápida expansão onde agentes de inteligência artificial (IA) realizam compras em nome dos consumidores. Um relatório recente da Global Payments, o Agentic Commerce Report 2026, posiciona o país como um forte concorrente nesse quesito, superando potências como Estados Unidos e França. A pesquisa, que ouviu mais de 8.000 consumidores em sete países, revela um salto notável no interesse e na disposição dos brasileiros em delegar tarefas de compra a IAs.

Confiança e Adoção em Alta no Brasil

A pesquisa destaca que o Brasil exibe um notável nível de confiança em seus agentes pessoais de IA. Em uma escala de 1 a 5, os brasileiros atribuíram uma nota média de 3,80, o segundo melhor desempenho entre os mercados analisados, atrás apenas da China (3,97). Este índice representa um avanço significativo em relação aos 3,18 registrados em 2025, posicionando o Brasil como líder entre os países ocidentais neste quesito.

O interesse prático também cresceu. A parcela de consumidores dispostos a permitir que um agente de IA navegue e efetue compras em seu nome quase dobrou em um ano, saltando de 39% em 2025 para 72% em 2026. Em termos de intenção de uso para os próximos 12 meses, 48% dos brasileiros se mostram dispostos, um aumento de 33 pontos percentuais. Embora este número coloque o Brasil atrás da China (86%) e de Cingapura (59%), ele o posiciona entre os líderes globais, empatado com o Reino Unido (48%) e à frente dos Estados Unidos (45%). Atualmente, 24% dos consumidores no país relatam já ter experimentado o comércio agêntico.

Conveniência vs. Segurança: O Dilema do Comércio Agêntico

Apesar do otimismo, a delegação de decisões financeiras ainda encontra barreiras. A segurança dos dados de pagamento é a principal preocupação para 50% dos entrevistados no Brasil, seguida pela privacidade e uso de dados pessoais (45%) e o receio de que a IA possa cometer erros (41%). A dificuldade em determinar a responsabilidade em caso de falhas também é um fator limitante para 36% dos participantes.

Implicações para o Futuro das Compras Online

O comércio agêntico, impulsionado pela IA, não se configura apenas como uma nova ferramenta de recomendação, mas sim como um canal de compras emergente. As projeções indicam que, nos próximos cinco anos, os consumidores brasileiros estimam que 17% de suas compras poderão ser realizadas por meio de agentes de IA, um número que se aproxima das compras presenciais (18%) e supera canais digitais consolidados como sites de marcas (13%) e marketplaces (12%). Para as empresas, o desafio reside em equilibrar a conveniência oferecida pela IA com mecanismos robustos de autorização, segurança e transparência, garantindo que o consumidor mantenha o controle, especialmente em transações de maior valor.

Perguntas em Aberto no Horizonte Brasileiro

Embora os dados apontem para um futuro promissor para o comércio agêntico no Brasil, diversas questões permanecem em aberto. A velocidade com que a confiança se consolidará, especialmente em transações de alto valor, é um ponto de interrogação. Além disso, a forma como a regulamentação evoluirá para acompanhar o ritmo da inovação tecnológica e garantir a proteção do consumidor será crucial. A capacidade das empresas de construir e manter a confiança dos usuários, demonstrando que a automação pode coexistir com segurança e controle, definirá o sucesso a longo prazo dessa nova fronteira do varejo digital.

A crescente adoção do comércio agêntico no Brasil, impulsionada pela busca por conveniência e pela evolução da IA, sinaliza uma transformação no comportamento do consumidor e no panorama do e-commerce. O país se posiciona na vanguarda dessa mudança, mas o caminho para a plena delegação de compras a agentes de IA dependerá da superação de desafios relacionados à segurança e à confiança. Com reportagem de Brazil Valley

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