A Brasilprev está redefinindo sua abordagem à inteligência artificial (IA), colocando as áreas de negócio no centro da estratégia e utilizando a governança como ferramenta principal para controlar os custos associados. Bruno da Silva Venceslau, Superintendente de dados e negócios digitais da Brasilprev, defendeu a tese de que dados e IA devem ser tratados primordialmente como pautas de negócio, não apenas como iniciativas tecnológicas. Essa visão visa transitar da mera redução de custos, cobrada pelo CFO, para uma agenda focada na geração de valor estratégico.

O protagonismo do negócio na IA

A estratégia da Brasilprev parte do princípio de que o sucesso na adoção da IA pelas áreas de negócio é o que viabiliza a transição de uma agenda de corte de custos para uma de geração de valor. A área de tecnologia e dados atua como facilitadora e garantidora da governança, mas o protagonismo deve ser do negócio. Essa filosofia se alinha a uma estratégia multi-cloud, que evita a dependência de um único provedor, garantindo flexibilidade e uma visão de longo prazo para a infraestrutura tecnológica da empresa.

Governança e controle de gastos com tokens

Para gerenciar o consumo de tokens e otimizar a eficiência das ferramentas analíticas, a Brasilprev combina capacitação intensiva com a aplicação de limites graduados. A instituição investe em treinamento para que desenvolvedores e analistas selecionem os Large Language Models (LLMs) mais adequados a cada aplicação, evitando gastos excessivos. Após um período inicial de testes abertos para mapear padrões de uso, a empresa estabeleceu perfis de usuários e atribuiu limites e faixas de tokens específicos a cada um. A agilidade interna para ajustar cotas quando limites são atingidos precocemente é crucial, garantindo que a governança proteja o orçamento sem paralisar o ritmo de inovação.

Pilares da IA e mensuração de ROI

A atuação da empresa em IA está estruturada em três pilares estratégicos: assistentes pessoais, agentes corporativos e IA transformacional. Para agentes corporativos, a Brasilprev padronizou um único parceiro e solução, enquanto para testes de custo e exploração de diferentes LLMs, adotou múltiplas ferramentas. O retorno sobre o investimento (ROI) é mensurado por aplicação, com escalonamento gradual. Na IA transformacional, o foco está em projetos de impacto de curto prazo alinhados à diretoria, com a possibilidade de modelos fundacionais no longo prazo. Embora o rastreamento de custos seja facilitado por dashboards, demonstrar o ganho econômico em retorno financeiro exato é complexo, exigindo formas de automatizar essa mensuração.

Comitê de IA e embaixadores

A tomada de decisão em IA na Brasilprev é descentralizada e alinhada em um Comitê Semanal de IA. Este comitê multidisciplinar reúne lideranças de TI, Dados/Negócios Digitais, Pessoas, Estratégia, Cibersegurança e Riscos. Como diferencial metodológico, a instituição criou o programa de embaixadores de IA, capacitando 35 profissionais em diversas áreas da empresa. Esses embaixadores atuam na construção de agentes departamentais e auxiliam na estimativa do valor e dos resultados potenciais das soluções de IA.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside