A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito global da Braskem de ‘C’ para ‘RD’ (Restricted Default, ou Inadimplência Restrita), formalizando o que o mercado já temia. A decisão veio após a própria petroquímica confirmar a inadimplência no pagamento de juros de uma obrigação financeira relevante, com o período de carência expirando sem a regularização.
O rebaixamento não é um fato isolado, mas o sintoma mais agudo de uma crise de alavancagem que a companhia enfrenta em duas frentes. Enquanto a holding no Brasil busca fôlego para negociar com credores, sua principal operação no México, a Braskem Idesa, já deu um passo mais drástico, entrando com um pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos Estados Unidos. A leitura é que a Braskem iniciou, de forma forçada, um processo de saneamento de seu balanço.
Duas frentes de reestruturação
No Brasil, o movimento imediato da Braskem foi buscar proteção judicial. A companhia obteve na Justiça de São Paulo a suspensão de execuções por parte de credores por 60 dias, um escudo para conduzir um processo de mediação. Para a Fitch, a situação é clara: um calote não sanado em uma dívida relevante se enquadra na definição de 'Inadimplência Restrita'. A medida judicial, portanto, é uma tentativa de organizar a casa antes que a pressão dos credores se torne insustentável.
Enquanto isso, a situação da Braskem Idesa no México segue um roteiro mais estruturado. O pedido de Chapter 11 no Texas foi previamente negociado com os principais credores, o que sugere um caminho mais claro para a resolução. O plano é ambicioso: reduzir a dívida sênior de US$ 2,5 bilhões para cerca de US$ 1,6 bilhão. Como parte do acordo, a própria Braskem aportará US$ 476 milhões, um sinal de que, apesar da crise, a controladora ainda aposta na viabilidade da operação.
As opções sobre a mesa
O diagnóstico da Fitch sobre o futuro da Braskem aponta para um cardápio limitado e complexo. A agência afirma que, sem novos recursos, a companhia precisará de uma combinação de venda de ativos, aporte de capital dos acionistas ou uma renegociação mais ampla de sua dívida. Cada uma dessas vias apresenta seus próprios desafios, especialmente o aporte de capital, que envolveria seus acionistas Novonor e Petrobras em um momento delicado para ambos.
O processo de Chapter 11 da subsidiária mexicana, que deve durar entre 60 e 90 dias, servirá como um termômetro da capacidade da empresa de executar reestruturações complexas. Para a holding no Brasil, o prazo de mediação de 60 dias é a janela crítica para encontrar uma solução consensual com seus credores e evitar um aprofundamento da crise de confiança.
Os movimentos simultâneos mostram uma companhia que, premida pelas circunstâncias, ataca suas vulnerabilidades financeiras de forma pragmática. A questão que fica para o mercado não é se a Braskem irá se reestruturar, mas quão profunda e eficaz será essa reorganização para garantir sua sustentabilidade em um cenário macroeconômico adverso.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





