Brian Chesky, cofundador e CEO do Airbnb, empresa avaliada em US$ 95,8 bilhões, expressou um desejo surpreendente: voltar aos 26 anos para empreender na atual era da inteligência artificial. Até o surgimento do ChatGPT, Chesky se sentia grato por ter iniciado o Airbnb em 2008, um período de ouro para startups com o lançamento do iPhone e o boom do Facebook e YouTube. No entanto, a revolução da IA mudou sua perspectiva.

“Até o lançamento da IA generativa, ChatGPT, eu dizia: ‘Graças a Deus nasci na época em que nasci, porque agora é um tempo mais difícil’. E então, pós-ChatGPT, parte de mim disse: ‘Eu queria ter 26 anos de novo’”, revelou Chesky no podcast Silicon Valley Girl. Ele acredita que, embora o Airbnb seja uma conquista notável, as ferramentas atuais permitiriam criar algo igualmente impactante com muito menos recursos. “Porque as ferramentas agora são muito mais poderosas”, argumentou.

A democratização da criação de startups

Chesky vislumbra um futuro onde a IA não apenas aprimora negócios existentes, mas também catalisa o surgimento de novas empresas em larga escala. Ele antecipa a criação de “dezenas de milhões” de pequenas empresas impulsionadas pela IA, além de gigantes como Anthropic. A principal mudança, segundo ele, é a drástica redução das barreiras de entrada. Se antes iniciar uma empresa exigia equipes grandes e investimentos substanciais, hoje um punhado de pessoas com uma ideia e acesso às ferramentas de IA pode construir algo significativo. Essa democratização é um dos aspectos mais transformadores da tecnologia, permitindo que mais pessoas realizem suas ambições empreendedoras.

Novos horizontes para empreendedores com IA

Embora Chesky admita não ter uma ideia concreta do que criaria hoje, ele aponta áreas promissoras. Educação e saúde são campos com potencial de transformação radical através da IA. Outra visão intrigante é a construção de um “AI Disney”, sugerindo a fusão de entretenimento e tecnologia de ponta para novas formas de narrativa e experiências imersivas. A indústria de storytelling, em particular, está sendo redefinida, com exemplos como a Netflix utilizando IA em produções e o Festival de Cannes apresentando filmes gerados por IA. A IA está se infiltrando em mídias visuais, abrindo caminhos para criadores e empreendedores explorarem novas fronteiras.

O dilema dos trabalhadores e o empoderamento individual

Chesky reconhece que, para muitos trabalhadores fora do Vale do Silício, a IA é vista como uma força disruptiva que ameaça empregos. Ele não minimiza essas preocupações, mas defende que a tecnologia também oferece um poder sem precedentes para a criação individual. “As pessoas fora do Vale do Silício sentem que a IA está acontecendo com elas… e está mudando seus empregos. Está deslocando-as”, disse. Contudo, ele enfatiza que a IA capacita qualquer pessoa com uma ideia a construir algo tangível, tornando o processo de fundar uma empresa mais acessível do que nunca. A chave é a adoção ativa da tecnologia, em vez de uma postura passiva.

Navegando na onda da IA: o convite para mergulhar

O próprio Chesky admite ter se sentido intimidado ao experimentar ferramentas como Claude Code, demonstrando que a curva de aprendizado pode ser um obstáculo inicial. Ele sugere que, mesmo sem um especialista à disposição, a disponibilidade de tutoriais no YouTube e a rede de contatos profissional facilitam o aprendizado. O conselho final do CEO do Airbnb é direto: “Mergulhe na piscina”. Para ele, a inação diante da IA é um risco maior do que o desafio de aprendê-la. A mensagem é clara: a era da IA oferece oportunidades sem precedentes para quem estiver disposto a explorar e construir. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune