A Brisanet iniciou oficialmente suas operações de telefonia móvel no Centro-Oeste brasileiro, com um plano ambicioso de levar a tecnologia 5G a 115 cidades nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul até o final de 2026. O cronograma estabelecido pela companhia prevê a ativação da rede em 62 municípios goianos e 53 sul-mato-grossenses ao longo deste segundo semestre, consolidando uma presença regional que vai além de sua base histórica no Nordeste.

Este movimento, conforme reportado pelo Canaltech, não é apenas comercial, mas atende a compromissos contratuais firmados com a Anatel durante o leilão do 5G realizado em 2021, quando a operadora cearense arrematou o lote regional daquela área. A estratégia da empresa prioriza localidades com menos de 30 mil habitantes, um nicho frequentemente negligenciado pelas grandes operadoras nacionais devido aos desafios logísticos e à densidade populacional reduzida.

A estratégia de interiorização da conectividade

A expansão da Brisanet reflete uma mudança estrutural no mercado de telecomunicações brasileiro, onde players regionais têm ocupado espaços deixados pelas gigantes do setor. Ao focar em cidades de pequeno e médio porte, a empresa utiliza a infraestrutura de banda larga fixa que já domina no Nordeste como base para a convergência de serviços móveis, criando um ecossistema de conectividade mais robusto para o interior.

O modelo de negócio da operadora, que já alcançou a marca de um milhão de clientes móveis em mais de 320 municípios, demonstra que a demanda por conectividade de alta performance não se restringe aos grandes centros urbanos. A empresa pretende cobrir toda a região Centro-Oeste nos próximos anos, estabelecendo parcerias estratégicas com provedores locais para acelerar a capilaridade da rede.

Impactos no desenvolvimento regional

A chegada do 5G nestas 115 cidades carrega promessas de impacto econômico direto. Segundo Jordão Estevam, diretor Comercial e de Marketing da companhia, a infraestrutura visa impulsionar setores vitais como o agronegócio, saúde e segurança pública, áreas que dependem cada vez mais de baixa latência e alta disponibilidade de dados para a modernização de seus processos operacionais.

Além da conectividade, a expansão gera um efeito multiplicador no mercado de trabalho local. A Brisanet projeta a criação de aproximadamente 100 empregos diretos nas cidades atendidas, focados em áreas de vendas, suporte ao cliente e manutenção da rede externa. Este aporte de capital humano é fundamental para a sustentabilidade da operação em regiões onde o acesso a suporte técnico especializado costuma ser limitado.

Desafios operacionais e competitividade

O grande desafio para a Brisanet será a manutenção da qualidade de serviço em áreas remotas, onde a topografia e a distância entre os pontos de transmissão podem elevar os custos de manutenção. A operadora, que já conta com mais de 9 mil colaboradores e uma base consolidada no Nordeste, precisará equilibrar o investimento massivo em infraestrutura com a necessidade de manter preços competitivos para atrair a base de usuários local.

A concorrência com as grandes teles nacionais será o principal teste de resiliência da companhia. Enquanto as operadoras tradicionais possuem escala nacional, a Brisanet aposta na proximidade com o cliente e na especialização regional para garantir sua fatia de mercado, utilizando o 5G como um diferencial competitivo para o consumidor que busca estabilidade e velocidade em cidades menores.

O horizonte da conectividade móvel

O plano de expansão da empresa não termina em 2026. A companhia já desenhou metas para 2027, quando pretende atingir mais 115 municípios na mesma região, evidenciando uma visão de longo prazo para o Centro-Oeste. Resta observar como a infraestrutura de backhaul e a integração com provedores locais suportarão esse crescimento acelerado sem comprometer a estabilidade do sinal.

O sucesso desta iniciativa servirá de termômetro para outras operadoras regionais que buscam seguir o mesmo caminho. A democratização do 5G no Brasil parece depender, em grande medida, dessa capilaridade que apenas empresas com raízes locais conseguem implementar de forma eficiente. O mercado aguarda os resultados operacionais dos próximos meses para verificar se a promessa de conectividade se traduzirá em ganho real de produtividade para o interior do país.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Canaltech