O BTG Pactual reajustou sua carteira de ações recomendadas para setembro, num movimento que reflete a principal encruzilhada do mercado brasileiro: o risco fiscal. Segundo relatório do banco, a estratégia é manter exposição a ativos com bom potencial de retorno tanto num cenário positivo quanto negativo, fazendo trocas pontuais para otimizar essa balança.

A tese do BTG é que os juros longos e as ações já embutem uma dose considerável de pessimismo fiscal, mas o câmbio, ainda não. Diante dessa bifurcação de futuros possíveis, o banco montou um portfólio que funciona como um hedge: uma aposta em dois cavalos, esperando que um deles pague o prêmio, ou que as perdas de um sejam compensadas pelos ganhos do outro.

A estratégia de hedge

O desenho da carteira é explícito em sua dualidade. De um lado, se o ajuste fiscal prometido pelo governo se concretizar, a expectativa é de queda nos juros de longo prazo. Nesse cenário, ações de fluxo de caixa de longa duração (as chamadas long duration) e papéis sensíveis a juros, como os de construtoras de baixa renda e do setor financeiro, devem performar bem. Este bloco representa 65% do portfólio recomendado.

Por outro lado, se a percepção de risco fiscal continuar a se deteriorar, o caminho mais provável é uma desvalorização adicional do real. Para mitigar esse risco, 35% da carteira está alocada em teses com exposição cambial. Aqui entram empresas exportadoras como Embraer e Gerdau, além da Petrobras, cujo preço é dolarizado e que também funciona como uma tese de dividendos. É uma proteção clássica para momentos de estresse macroeconômico local.

As trocas e os destaques

As mudanças na carteira foram cirúrgicas. A Sabesp (SBSP3) entra no lugar da Copasa (CSMG3), com o BTG avaliando que a estatal paulista, negociando a uma taxa interna de retorno real de 10,5%, oferece uma relação risco-retorno mais atrativa. A outra substituição foi a saída de Totvs (TOTS3) para a entrada da Rede D'Or (RDOR3), classificada como uma ação de alta qualidade e long duration, com o maior potencial de valorização da lista: 65%.

A carteira se completa com nomes como Petrobras, com o maior peso (15%), Itaú Unibanco, Embraer e Eneva. A composição busca um equilíbrio delicado entre setores: 50% em serviços básicos e infraestrutura, 10% no setor financeiro, 20% em teses de câmbio, 15% em petróleo e 5% em construção civil.

Mais do que uma previsão sobre o rumo do país, a carteira do BTG é um retrato da incerteza. É uma alocação tática para um investidor que não quer ficar de fora de uma eventual melhora, mas que também não pode se dar ao luxo de ignorar os riscos que se avolumam no horizonte fiscal brasileiro.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times