O cenário econômico global passou por uma virada sísmica. O período de dinheiro barato e globalização acelerada, que moldou as últimas décadas, deu lugar a um ambiente de juros mais elevados, fragmentação geopolítica e rápidas transformações tecnológicas. Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, um dos principais nomes do setor financeiro brasileiro, alerta que os países que não se adaptarem a essa nova realidade correm o risco de sofrer severas consequências. A mensagem é clara: a lição de casa precisa ser feita, e o Brasil não é exceção.

Um Novo Cenário Global

Sallouti descreve um mundo em transição. Após anos de taxas de juros próximas de zero, especialmente após a crise financeira de 2008, o custo do capital voltou a subir. Isso não apenas encarece o financiamento para empresas e governos, mas também torna as decisões de investimento mais complexas e arriscadas. Paralelamente, a ordem geopolítica global está se fragmentando. Décadas de integração econômica estão sendo substituídas por um aumento do protecionismo, conflitos regionais e disputas comerciais. Esse ambiente menos previsível pode dificultar o fluxo de comércio e negócios internacionais, impactando diretamente economias emergentes como a do Brasil.

IA e Mudanças Climáticas: Novos Fatores de Risco e Oportunidade

Além das questões macroeconômicas e geopolíticas, Sallouti destaca dois outros fatores transformadores: a inteligência artificial (IA) e as mudanças climáticas. Ele compara o impacto da IA às grandes revoluções industriais, enfatizando que sua adoção já deveria ser parte da rotina de profissionais que buscam manter a competitividade. "A inteligência artificial é o novo Excel", afirmou, defendendo que jovens aprendam a usar a tecnologia. As mudanças climáticas, por outro lado, exigem um planejamento estratégico a longo prazo por parte das empresas e governos, integrando a sustentabilidade nas decisões de negócios. Juntas, essas megatendências amplificam a necessidade de qualificação profissional e de uma adaptação ágil a um ambiente econômico em constante e rápida mutação.

O Imperativo da Modernização para o Brasil

Para o Brasil, a combinação de capital mais caro, tensões geopolíticas e disrupções tecnológicas torna a modernização da economia uma prioridade absoluta. Sallouti argumenta que, sem avanços significativos em produtividade e competitividade, o país terá sérias dificuldades para navegar no cenário internacional e aproveitar as oportunidades que surgirem. A fragilidade estrutural da economia brasileira, aliada à necessidade de reformas, torna o alerta ainda mais premente. O CEO do BTG Pactual sugere que essa necessidade de adaptação, embora desafiadora, também pode ser um catalisador para a inovação, abrindo espaço para novos negócios e iniciativas que resolvam problemas crônicos do país.

Educação e Empreendedorismo como Solução

Nesse contexto de desafios, Sallouti aponta para a educação, a qualificação profissional e o empreendedorismo como as chaves para a transformação do Brasil. "O Brasil está cheio de problemas, então o que precisamos é de gente qualificada, capacitada, com o coração no lugar e empreendedora para ajudar o Brasil a se transformar", disse. A visão é que o capital humano, munido de conhecimento e com um forte senso de propósito, é o principal ativo para enfrentar as adversidades e construir um futuro mais próspero e competitivo. O alerta do CEO do BTG Pactual ressoa como um chamado à ação para empresas, governos e a sociedade civil, sublinhando que a inação terá um custo alto em um mundo cada vez mais complexo e incerto.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times