O Ibovespa registrou um forte rali após o primeiro turno das eleições presidenciais, mas o BTG Pactual avalia que o movimento pode não ter chegado ao fim. Segundo o banco, o mercado acionário brasileiro ainda negocia com desconto em relação à sua média histórica e apresenta um potencial relevante de valorização.

Na segunda-feira seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa avançou 12,7% em dólar, refletindo a percepção de que o senador Flávio Bolsonaro se consolidou como favorito na disputa presidencial. Mesmo após essa disparada, as ações brasileiras, excluindo Petrobras e Vale, são negociadas a 11,1 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, o que representa um desconto de cerca de 7% em relação à média histórica. O BTG Pactual estima que, se o Ibovespa atingir um desvio-padrão acima da média, impulsionado, por exemplo, pela queda nas taxas de juros de longo prazo, o potencial de alta poderia alcançar 30%.

Gatilhos para a Valorização

Apesar da perspectiva construtiva, o BTG Pactual acredita que a valorização tende a ser mais gradual nas próximas semanas, uma vez que a corrida presidencial permanece em aberto. O principal gatilho para o Ibovespa, na visão do banco, serão as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno. Caso os levantamentos indiquem uma vantagem de 4 a 5 pontos percentuais para Flávio Bolsonaro, o desempenho positivo da Bolsa deve ser sustentado. A capacidade de Lula em atrair os eleitores que não compareceram ao primeiro turno será um fator crucial a ser observado nos próximos levantamentos.

Ajuste Fiscal e Juros Baixos

Contudo, uma reprecificação mais duradoura dos ativos brasileiros dependerá de fatores que vão além do resultado eleitoral. A composição do próximo ministério e, principalmente, a apresentação de medidas concretas para conter a expansão fiscal são pontos cruciais acompanhados pelos investidores. O BTG ressalta que uma reprecificação sustentada das ações brasileiras dependerá da qualidade do novo gabinete e da eficácia do pacote fiscal. As taxas reais de juros de longo prazo já recuaram cerca de 100 pontos-base após o primeiro turno, e esse movimento pode se intensificar caso haja um maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas.

Impacto na Política Monetária

Um cenário de maior credibilidade fiscal abriria espaço para o Banco Central acelerar o ciclo de cortes da taxa Selic. Atualmente, o Boletim Focus projeta juros de 12% ao fim de 2027, mas o BTG avalia que essa taxa poderia migrar para a faixa entre 10% e 11% se as expectativas de inflação permanecerem sob controle. Essa combinação de juros mais baixos e um potencial crescimento econômico mais forte tende a impulsionar os lucros corporativos e prolongar o ciclo de valorização das ações no mercado brasileiro.

Perguntas em Aberto

Apesar do otimismo cauteloso, persistem incertezas sobre a capacidade do futuro governo em implementar reformas estruturais e manter a disciplina fiscal. A composição exata do ministério e a clareza sobre as políticas econômicas a serem adotadas serão determinantes para a confiança dos investidores no médio e longo prazo. A capacidade de navegar em um ambiente político polarizado, ao mesmo tempo em que se busca a estabilidade macroeconômica, será o grande desafio.

A análise do BTG Pactual aponta para um cenário promissor para a Bolsa brasileira, mas a concretização desse potencial dependerá de uma série de fatores macroeconômicos e políticos que ainda estão em desenvolvimento. A atenção dos mercados se volta agora para as próximas pesquisas eleitorais e para os sinais de compromisso com a responsabilidade fiscal.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times