No ateliê do escultor Shahryar Nashat, nos arredores de Paris, certos itens são perenes: café, cerveja, tequila e um chocolate suíço chamado Ragusa. A trilha sonora é quase sempre presente, navegando por clássicos dos anos 90 de Erykah Badu, Lauryn Hill e Aaliyah. Para as sessões mais difíceis, como a moldagem de uma peça complexa, a escolha é a trilha de Twin Peaks, composta por Angelo Badalamenti. É neste ambiente, um misto de bar, refúgio e laboratório, que sua obra toma forma.
Este é o cenário que Nashat construiu para si em Asnières-sur-Seine, ao norte de Paris, um lugar que, curiosamente, também abriga um dos primeiros cemitérios de animais de estimação do mundo. O espaço em si não é onde a inspiração nasce, ele admite, mas é o palco onde tudo acontece. É o território da disciplina, do método e da experimentação.
O eco de duas cidades
Há três anos neste endereço, o artista reflete sobre a jornada que o leva ao trabalho — um contraste marcante com sua vida anterior. Antes, em Los Angeles, o trajeto era de carro, atravessando o Laurel Canyon e as autoestradas 101 e 134, um percurso que revelava as múltiplas faces da metrópole californiana. Hoje, em Paris, são duas rodas que o levam do 11º arrondissement para o norte, cruzando a cidade que se rarefaz até o Sena.
O que ele sente falta da Costa Oeste é a luz. Aquele sol forte, ideal para "exames forenses" de suas peças, e o ritual de fechar o portão de enrolar do estúdio, um som que marcava o fim do dia, para o bem ou para o mal. A luz de Paris é outra, assim como o ritmo. O espaço, embora semelhante ao de Glendale, é habitado por uma energia diferente, moldada pelo novo ambiente e pela proximidade de outros artistas, como o amigo Cooper Jacoby, com quem troca notas sobre tempos de cura de silicone.
A alquimia dos materiais
Se o espaço é a estrutura, os materiais são a alma do trabalho de Nashat. A lista de "frequentadores regulares" do ateliê é eclética. Há o tradicional papier-mâché, mas também uma "cola náutica da cor de mel", uma descrição que evoca tanto a textura quanto uma certa poesia industrial. A matéria-prima, para ele, parece carregar sua própria narrativa.
Mais recentemente, ele incorporou o Fabrican, um tecido em spray que ganhou notoriedade ao ser aplicado sobre o corpo da modelo Bella Hadid em um desfile de alta-costura. Nashat usou a mesma tecnologia para "vestir" suas esculturas na série Mothers. É um movimento que conecta seu estúdio, um espaço de trabalho manual e quase artesanal, às fronteiras mais tecnológicas da moda e da materialidade.
O lugar favorito de Nashat na região não é uma galeria, mas o Museu Gustave Moreau — o antigo ateliê do pintor simbolista, transformado em museu. Um espaço que André Breton chamou de "o mais comovente de todos". A visita é um lembrete de que, ao fim, todo ateliê é um tipo de mausoléu em potencial, onde as ferramentas, os experimentos e as horas de trabalho se sedimentam, esperando para contar sua história.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Hyperallergic





