A Microsoft anunciou a inclusão de Call of Duty: Black Ops Cold War, título de 2020 da sua recém-adquirida Activision, no catálogo do Xbox Game Pass a partir de 8 de setembro. A adição faz parte da atualização quinzenal do serviço, que também trará games como Virtual Fighter 5 e o indie Speedrunners 2, segundo a imprensa local.

O movimento, porém, tem um peso que transcende a rotineira atualização de biblioteca. A chegada de um Call of Duty — mesmo um título com alguns anos de mercado — ao serviço é a primeira materialização de peso da aquisição de US$ 69 bilhões da Activision Blizzard para o consumidor final. A leitura aqui é que a Microsoft começa a usar sua munição mais pesada para entrincheirar o Game Pass como o centro de seu ecossistema, transformando a maior franquia de jogos do mundo em uma alavanca para assinaturas.

O peso de uma franquia

Por anos, a estratégia da Microsoft com o Game Pass foi comparada à da Netflix: um vasto catálogo de conteúdo licenciado de terceiros, com alguns originais de peso. A aquisição da Activision Blizzard, no entanto, muda a natureza do jogo. Ter Call of Duty sob seu guarda-chuva permite à companhia criar uma âncora de valor permanente, imune às negociações e à rotação de licenciamentos que fazem com que títulos populares, como Cyberpunk 2077, deixem o serviço este mesmo mês.

A inclusão de Black Ops Cold War serve como um balão de ensaio. O valor não está no jogo em si, mas no precedente que ele abre. O recado para o mercado — e principalmente para a concorrente Sony — é claro: o ecossistema Xbox é, e será cada vez mais, o lar da franquia. Isso altera o cálculo de valor para qualquer jogador que considere qual plataforma escolher, transformando o Game Pass de um "bom negócio" para um serviço potencialmente indispensável.

Curadoria e rotação

Enquanto Call of Duty entra, outros nomes relevantes saem. A lista de partidas de setembro inclui, além de Cyberpunk 2077, títulos aclamados como Dead Cells e Frostpunk 2. Essa dinâmica de fluxo constante é inerente ao modelo de assinatura, mas a estratégia da Microsoft parece ser a de mitigar o impacto dessas perdas com propriedades intelectuais que ela controla integralmente.

Ao fortalecer o catálogo com seus próprios blockbusters, a empresa reduz a dependência de negociações com estúdios externos e aumenta o poder de barganha. Cada título da Bethesda ou da Activision que entra no Game Pass fortalece a percepção de valor intrínseco do serviço, tornando a saída de um jogo de terceiro menos dolorosa para o assinante. A longo prazo, a Microsoft aposta que um núcleo de conteúdo exclusivo e permanente será mais poderoso do que um carrossel de licenças temporárias.

A chegada deste Call of Duty é apenas o primeiro passo. A verdadeira prova de fogo da estratégia virá quando os futuros lançamentos da franquia chegarem ao serviço no dia de seu lançamento global. Este anúncio serve para calibrar a expectativa do mercado e dos consumidores para o que parece ser o novo normal na guerra dos consoles.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Canaltech