A gestora de ativos francesa Carmignac anunciou a abertura de um escritório em Dubai, marcando sua primeira presença física no Oriente Médio. A operação, localizada no Centro Financeiro Internacional de Dubai (DIFC), recebeu autorização da autoridade financeira local, a DFSA, para iniciar suas atividades.

O movimento é um passo calculado na estratégia de expansão internacional da firma e, mais importante, um sintoma da crescente atratividade de Dubai como um novo centro de gravidade para o capital global. Enquanto praças financeiras tradicionais enfrentam incertezas, o emirado se consolida como um hub para a gestão de fortunas.

O apelo do deserto

A escolha por Dubai não é acidental. A própria Carmignac citou o “sólido arcabouço regulatório” e o ambiente de negócios eficiente do DIFC como fatores decisivos. Para uma indústria que vive de confiança e estabilidade, a previsibilidade oferecida pelo emirado é um ativo valioso, em contraste com a crescente complexidade tributária e regulatória de alguns mercados europeus.

Para liderar a ofensiva, a gestora repatriou Christophe Younes, um executivo que já passou uma década na casa antes de uma temporada na PIMCO. Sua experiência com family offices e investidores institucionais, somada à fluência em árabe, sinaliza uma abordagem focada em construir relacionamentos locais de longo prazo, e não apenas em distribuir produtos financeiros de prateleira.

Um realinhamento global

A expansão da Carmignac reflete uma tendência mais ampla de gestoras e bancos de investimento ocidentais que buscam diversificar sua presença geográfica. O Oriente Médio, e em particular os Emirados Árabes Unidos, emerge como um dos mercados de gestão de patrimônio de mais rápido crescimento no mundo, alimentado pela riqueza gerada por energia e pela busca de investidores locais por sofisticação e diversificação internacional.

Este fluxo de capital e talento para Dubai coloca em perspectiva o papel dos centros financeiros tradicionais como Londres, Paris e Zurique. A decisão de uma gestora europeia de peso de estabelecer uma base estratégica no Golfo é um reconhecimento de que o eixo do poder financeiro está, se não se deslocando, ao menos se tornando mais multipolar. A aposta é que o crescimento futuro virá de novas geografias.

A Carmignac planta sua bandeira em um território cobiçado, onde a competição por capital institucional e privado já é intensa. O sucesso da operação dependerá não apenas da qualidade de seus fundos, mas da capacidade de navegar na cultura de negócios local e se provar um parceiro indispensável para a elite financeira da região.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España