A narrativa de uma dominação iminente das montadoras chinesas na Europa pode estar superestimada. Para Matthias Schmidt, um dos mais reconhecidos analistas do setor automotivo do continente, a maré chinesa encontrará um teto, com uma participação de mercado que não deve ultrapassar os 15%.
A análise, concedida em entrevista ao portal espanhol Xataka, projeta um cenário de reequilíbrio, onde os fabricantes europeus tradicionais se preparam para “recortar a distância” com novas estratégias para os segmentos de entrada, hoje a principal porta de entrada para marcas como BYD e MG.
A consolidação é inevitável
Atualmente, Schmidt contabiliza cerca de 40 marcas chinesas operando na Europa, um número que ele considera insustentável a longo prazo. A consolidação, portanto, é um caminho natural. Ele prevê que o mercado se concentrará em cinco grandes grupos: Chery, BYD, SAIC (dona da MG), Leapmotor (que já possui uma aliança estratégica com a Stellantis) e o conglomerado Geely (proprietário de Volvo, Polestar e Zeekr).
Este reajuste será acelerado por barreiras regulatórias, como a futura Lei de Aceleração Industrial da União Europeia, que exigirá um percentual maior de conteúdo local. Para o analista, isso dificultará a operação de players menores sem capacidade para investimentos industriais robustos no continente, limitando o avanço a um pico similar ao que as marcas japonesas atingiram durante a crise financeira de 2008, com 14% do mercado.
A resposta europeia
Schmidt contesta a ideia de que as montadoras europeias abandonaram os carros mais acessíveis. Pelo contrário, ele antecipa uma contraofensiva a partir do segundo semestre deste ano. A chave para essa retomada está na adoção em massa de baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), tecnologia que reduz custos e diminui a vantagem competitiva chinesa nesse quesito.
Além da tecnologia, novas regulações podem impulsionar essa tendência. A criação de uma nova categoria de veículos elétricos ultracompactos (M1e), inspirada nos “kei cars” japoneses, pode baratear a produção. Modelos como o novo Renault Twingo, um futuro Dacia e o Volkswagen ID.1, previsto para 2027, são a materialização dessa estratégia para defender o mercado de entrada.
No segmento premium, a barreira é ainda maior. Embora produtos de marcas como Zeekr sejam tecnicamente competitivos, a força de marca do trio alemão deve prevalecer. A leitura final não é a de uma capitulação europeia, mas sim a de um mercado que se tornará mais competitivo, forçando os incumbentes a se reestruturarem para um novo normal onde a eficiência de custos será decisiva.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





