O cenário energético global apresenta um contraste nítido entre o avanço tecnológico das fontes renováveis e a persistência estrutural dos combustíveis fósseis. Segundo dados compilados pela Ember em 2025, o carvão permanece como a maior fonte isolada de eletricidade no mundo, sendo responsável por aproximadamente 33% da geração total. Esse domínio, sustentado em grande medida pela demanda de economias em rápida industrialização, como China e Índia, sublinha o desafio de descarbonizar sistemas que ainda privilegiam o custo e a disponibilidade imediata desse insumo.

No panorama geral, os combustíveis fósseis — que incluem o carvão, o gás natural e outras fontes menores — ainda representam cerca de 57% de toda a eletricidade produzida no planeta. O gás natural ocupa o segundo lugar na lista, com uma fatia de 21,77%, consolidando-se como um pilar essencial, muitas vezes utilizado como backup flexível para a intermitência das energias limpas. A análise desses números indica que, apesar dos investimentos recordes em transição energética, a inércia dos ativos fósseis continua a ditar o ritmo da matriz global.

O papel do gás e a flexibilidade operacional

A prevalência do gás natural na matriz elétrica mundial não é acidental. Diferente de fontes renováveis que dependem de condições climáticas, as usinas a gás oferecem uma capacidade de despacho rápida, permitindo ajustes ágeis na carga conforme a necessidade da rede. Essa característica torna o gás um parceiro estratégico, ainda que problemático, para países que buscam equilibrar a segurança do fornecimento com metas de redução de emissões.

Essa dependência reflete uma escolha técnica e econômica. Enquanto governos e empresas buscam expandir a capacidade de geração renovável, a infraestrutura existente de usinas térmicas ainda oferece uma segurança que, para muitos gestores de redes, é difícil de substituir sem investimentos massivos em armazenamento de energia ou modernização das redes de transmissão.

A ascensão das renováveis e o novo patamar

Por outro lado, o crescimento da energia solar e eólica é incontestável. Atualmente, cada uma dessas fontes contribui com cerca de 8% a 9% da eletricidade global, números que, somados, já rivalizam com a produção hidrelétrica e nuclear. A queda acentuada nos custos de painéis solares e a proliferação de parques eólicos offshore, especialmente na Europa e na Ásia, alteraram a dinâmica de longo prazo do setor.

O fato de que solar e eólica agora produzem, juntas, mais eletricidade do que a energia nuclear, que responde por 8,85%, marca uma mudança de paradigma. A energia hidrelétrica, com 14%, ainda mantém sua posição como a maior fonte de baixa emissão de carbono, servindo como uma base crítica para a estabilidade dos sistemas elétricos em diversas regiões do globo.

Desafios para a próxima década

A transição energética não ocorre de forma uniforme. Enquanto economias desenvolvidas focam na desativação de usinas a carvão e no aumento da eficiência, países emergentes enfrentam a pressão de elevar sua capacidade de geração para atender ao crescimento populacional e industrial. A tensão entre o imperativo climático e a necessidade de energia barata permanece o principal obstáculo para uma mudança mais acelerada.

Para o futuro, a questão central não é apenas a instalação de novas capacidades renováveis, mas a viabilidade de substituir a base fóssil sem comprometer a segurança energética. O acompanhamento dos dados da Ember sugere que, embora a trajetória seja de crescimento para as renováveis, o peso dos fósseis na balança global ainda exigirá soluções tecnológicas de larga escala para ser efetivamente reduzido.

Com reportagem de Visual Capitalist

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