As muralhas de pedra, outrora sentinelas de reinos e batalhas, hoje guardam histórias de civilizações que moldaram a Península Ibérica. Entre os vestígios que resistem ao tempo, os castelos espanhóis se destacam por sua imponência e pelo peso histórico que carregam. Desde 1949, essas fortalezas são legalmente protegidas, e a partir de 1985, ganharam o status de bem de interesse cultural. No entanto, o próprio Ministério da Cultura da Espanha reconhece que os inventários existentes não são suficientes para um plano nacional de arquitetura defensiva, sinalizando a necessidade de um catálogo mais abrangente.
Diante dessa lacuna, um programador apaixonado por castelos deu vida a um projeto singular: um mapa 3D interativo que georreferencia 132 fortalezas espanholas. A iniciativa, batizada de "Castillos de España", surge da frustração pessoal de não encontrar uma fonte acessível que reunisse informações cruciais sobre esses monumentos, como sua visitabilidade e estado de conservação. Com a ferramenta, o usuário pode navegar pelo mapa, clicar em cada fortaleza e acessar uma ficha detalhada, que inclui cronologia, tipo de construção, estado de conservação, proteção legal e propriedade, além de sua localização geográfica precisa. O atlas abrange um vasto período histórico, desde a Torre de Hércules, datada do século I, até o Priorio, do século XIX, e se estende por todas as 17 comunidades autônomas e as duas cidades autônomas da Espanha.
O levantamento de dados revela a concentração de patrimônio fortificado em regiões como Castela e Leão, que lidera com 26 castelos, seguida por Andaluzia e Castela-Mancha, com 17 cada, e Galiza, com 14. O mapa também evidencia tendências históricas, como a proeminência de castelos califais do século X, fortificações templárias e uma maioria de construções do século XV em Castela e Leão. Embora o projeto ainda esteja em construção e ofereça uma seleção inicial – comparado a iniciativas como o Castlemap, que lista 600 fortificações –, ele se distingue por sua abordagem didática e visual. O mapa inclui também edificações que tecnicamente não são castelos, como a Alhambra e a Mezquita-Catedral de Córdoba, mas as diferencia com ícones específicos, permitindo que o usuário as filtre e compreenda seu contexto único.
A elaboração do mapa utiliza a projeção Lambert conforme cônica sobre ETRS89, o padrão oficial para mapas estaduais na Espanha, e emprega WebGL para a renderização do relevo. Cada ficha de castelo segue uma estrutura padronizada, apresentando dados gerais, histórico, cronologia, medidas, coordenadas, fotografias licenciadas e fontes de informação, garantindo a precisão e a transparência do conteúdo. Um exemplo notável é a ficha do Castelo de Olite, que compila estudos de historiadores renomados e informações de arquivos oficiais, chegando a mencionar honestamente reconstruções históricas com "mais fantasia que rigor".
Embora "Castillos de España" não substitua o inventário oficial que o Ministério da Cultura ainda planeja, ele oferece uma experiência imersiva e acessível, permitindo que o público visualize 132 fortalezas em um contexto tridimensional, enriquecido por suas histórias e maquetes interativas. É uma forma ágil e envolvente de se aproximar do rico patrimônio fortificado espanhol, despertando a curiosidade sobre as eras passadas e as histórias que essas pedras silenciosas têm a contar. Que outras maravilhas históricas aguardam ser redescobertas por meio da tecnologia?
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





