O CEO da Pasqal, Wasiq Bokhari, afirmou que a companhia enfrenta uma "desvantagem sistemática na Europa", sinalizando planos de buscar uma listagem pública nos Estados Unidos. A declaração, reportada pela publicação europeia Sifted, aponta para a possibilidade de a empresa acessar o mercado de capitais americano por meio de uma companhia de propósito específico de aquisição (SPAC).

A Pasqal, uma startup europeia focada no desenvolvimento de hardware e software para computação quântica, ilustra o desafio de empresas de tecnologia profunda (deep tech) em escalar operações dependendo exclusivamente de capital local. O relato sugere que a liderança da empresa vê o mercado americano como um caminho mais viável para sustentar suas necessidades de financiamento de longo prazo, refletindo uma tese de que a profundidade financeira dos EUA é essencial para competir globalmente em setores de fronteira.

A atração estrutural da liquidez americana

A fala de Bokhari toca em uma fricção institucional bem documentada no ecossistema de venture capital europeu. Embora a região tenha ampliado significativamente sua capacidade de financiar rodadas iniciais, o acesso a grandes volumes de capital para estágios de crescimento (growth equity) e saídas públicas ainda é frequentemente visto como mais eficiente nas bolsas dos Estados Unidos. A fragmentação regulatória e a menor propensão ao risco de investidores institucionais europeus costumam ser citadas como fatores que limitam valuations de empresas de alta tecnologia no continente.

O uso potencial de um SPAC para essa listagem, conforme indicado no relato preliminar da Sifted, sugere uma busca por vias alternativas e aceleradas de acesso ao mercado público americano. Veículos desse tipo foram amplamente utilizados nos últimos anos por empresas de tecnologias emergentes e de capital intensivo — como a própria computação quântica —, permitindo negociações de valuation mais diretas com os patrocinadores do fundo do que em uma oferta pública inicial (IPO) tradicional.

O desfecho das deliberações da Pasqal permanece no radar como um indicativo da capacidade de retenção de empresas estratégicas na Europa. Se o movimento se concretizar, a companhia reforçará o padrão de startups do continente que optam por cruzar o Atlântico em busca de maior liquidez e de uma base de investidores mais familiarizada com os riscos de tecnologias nascentes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Sifted