Shingo Ueno, CEO da Sumitomo Corporation, um conglomerado japonês multissetorial com valor de mercado de cerca de US$ 55 bilhões, delineou uma distinção fundamental entre a capacidade da inteligência artificial (IA) e a intuição humana. Segundo Ueno, enquanto a IA se destaca na análise de dados passados e na otimização da eficiência operacional, ela ainda não possui o que ele descreve como 'kosoryoku' — um termo japonês que se traduz como a capacidade de conceber ou formular uma visão para o futuro que ainda não foi imaginado.

Em entrevista recente, Ueno ressaltou que a IA tem sido uma aliada valiosa em seu dia a dia. "A IA generativa está me ajudando muito a melhorar minha eficiência. Estou utilizando-a plenamente", afirmou. Ele destacou a velocidade com que a tecnologia pode recuperar informações, algo que antigamente demandava um dia inteiro de pesquisa. "Se eu quiser encontrar informações sobre algo que a empresa fez antes, eu poderia ter passado um dia procurando por essa experiência. Agora, a resposta vem imediatamente", explicou. Essa agilidade permite que Ueno, com mais de 40 anos de experiência na Sumitomo, mantenha seu estilo de gestão focado na resolução rápida de problemas, evitando que questões se arrastem. "Meu método é tomar decisões no local", disse. "Tento evitar o 'vai e volta' — ter o mesmo problema voltando no dia seguinte."

O Limite da IA na Visão de Futuro

Apesar dos benefícios em termos de eficiência, Ueno alertou que a IA não pode substituir o julgamento humano em todas as situações. Ele compartilhou uma experiência frustrante: "Uma vez tentei tomar uma decisão usando IA e recebi apenas respostas inúteis. Não era nada utilizável." A raiz do problema, segundo o executivo, reside na dependência da IA em informações passadas. A tecnologia é capaz de identificar padrões e sugerir direções com base no que já ocorreu, mas sua capacidade de conceber um futuro inteiramente novo é limitada. "A IA analisa dados passados para nos mostrar uma direção. Mas ainda é baseada no passado", explicou Ueno. "Não pode criar o futuro. Não pode realmente mostrar a visão."

Kosoryoku: A Essência da Liderança Humana

O conceito de 'kosoryoku' é, portanto, o cerne da argumentação de Ueno sobre o papel insubstituível dos humanos no ambiente corporativo, especialmente em um mundo cada vez mais moldado pela IA. Ele enfatiza que desenvolver essa capacidade não exige que os funcionários sejam inventores de novas tecnologias do zero. "Não precisamos ser inventores. Não precisamos criar algo completamente novo", disse. "Podemos começar com algo que já existe, melhorá-lo e torná-lo nosso."

A Importância do Descanso para a Criatividade

Separadamente, Ueno sublinhou a importância do descanso e do distanciamento do trabalho para a geração de novas ideias. Acredita que momentos de lazer e repouso mental são cruciais para a renovação da criatividade. "No fim de semana, basicamente passo meu tempo sem pensar no trabalho", revelou. "Isso é extremamente importante, apenas descansar minha cabeça. Então, quando volto ao trabalho, consigo ter novas ideias." Essa perspectiva sugere que, enquanto a IA pode processar informações e otimizar tarefas existentes, a faísca da inovação e a capacidade de projetar o futuro permanecem firmemente no domínio humano.

Em última análise, a mensagem de Ueno é clara: a IA pode ser uma ferramenta poderosa para entender o passado e aumentar a produtividade, mas são os seres humanos que devem, e precisam, definir e construir o futuro. A capacidade de 'kosoryoku' é o diferencial que permite aos líderes e suas equipes não apenas reagir às mudanças, mas também moldá-las ativamente.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider