Melanie Dulbecco, CEO da Torani há 35 anos, desafia a narrativa comum de que demissões são uma resposta inevitável a desafios econômicos. Para ela, a prática é uma escolha, um exercício financeiro que, em muitos casos, negligencia a construção de resiliência e momentum a longo prazo. Sua filosofia, moldada por uma origem em bairro operário e a observação das dificuldades maternas, foca em construir uma "empresa de oportunidades". Essa visão a guiou desde sua chegada à Torani em 1991 como nona funcionária, até se tornar CEO em 1995 e liderar a empresa a um crescimento médio anual de 20%, projetando ultrapassar US$ 800 milhões em receita.
A Filosofia da Retenção e Elevação
Dulbecco vê a demissão como uma ferramenta financeira, não uma estratégia de sobrevivência essencial. "Eu entendo se uma empresa está passando por falência e tem que fazer escolhas extremamente difíceis. Fora isso, acho que é um exercício financeiro que não considera como você vai ser resiliente ou recuperar o momentum — porque você faz isso com uma equipe", afirma. Na Torani, a estratégia de automação e inteligência artificial não visa substituir funcionários, mas sim "deprioritizar trabalhos manuais e repetitivos com mobilidade de carreira limitada". A empresa utiliza IA para otimizar pesquisa de mercado, previsão de vendas e planejamento de demanda. Essa abordagem proativa gera confiança na equipe, que não teme ser substituída por máquinas, pois a empresa se compromete a "automatizar e elevar o trabalho", garantindo que as oportunidades de crescimento permaneçam.
Resiliência em Tempos de Crise
A pandemia de Covid-19 colocou essa filosofia à prova. Em março de 2020, a Torani planejava a mudança para uma nova fábrica de sabores em San Leandro, Califórnia, coincidindo com as ordens de lockdown. Com empréstimos bancários prestes a vencer, a equipe executiva considerou o cenário. A decisão unânime foi priorizar a manutenção da equipe, sem demissões ou férias forçadas. Para mitigar os riscos, a empresa cortou despesas de marketing e publicidade, suspendeu viagens corporativas e revisou orçamentos, buscando custos não essenciais. Embora esperassem uma queda de 50% nas vendas, a receita caiu apenas 20% em abril de 2020, recuperando-se em maio. A agilidade em pivotar para o varejo online e a forte colaboração da equipe permitiram que a Torani encerrasse 2020 com um aumento de 15% na receita anual.
O Valor da Colaboração e o Futuro
Dulbecco enfatiza que a capacidade de trabalhar em conjunto, colaborar e enfrentar desafios é crucial, especialmente em "modo de hiper-crescimento". Essa estratégia de valorização humana não só fortalece a resiliência da empresa, mas também impulsiona a retenção de talentos. A experiência da pandemia demonstrou que a equipe unida foi fundamental para superar a crise e alcançar os objetivos, como a mudança para a nova fábrica, que foi concluída em seis meses, em vez das seis semanas planejadas originalmente. "Não poderíamos ter feito isso se tivéssemos demitido nossa equipe", conclui.
A perspectiva de Dulbecco sugere um modelo de negócios onde o capital humano é o principal ativo, e as decisões financeiras são tomadas com um olhar atento às implicações a longo prazo para a equipe e a cultura organizacional. O sucesso da Torani em manter o crescimento e a coesão em meio a adversidades econômicas e sanitárias reforça a ideia de que, para muitas empresas, as demissões são, de fato, uma escolha. A questão que permanece é se mais líderes adotarão essa abordagem focada na sustentabilidade humana e organizacional, em vez de cortes rápidos e, muitas vezes, prejudiciais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





