O cenário da inteligência artificial generativa, que já foi dominado de forma avassaladora pelo ChatGPT da OpenAI, passou por uma transformação notável. A chegada da ferramenta em novembro de 2022 redefiniu as expectativas e impulsionou uma corrida pelo desenvolvimento de modelos de IA, mas o período subsequente viu o surgimento de concorrentes de peso. Essa ascensão não ocorreu sem controvérsias, com métodos de treinamento questionáveis e um número crescente de litígios envolvendo grandes empresas de tecnologia.

Análises do tráfego de navegação mostraram que o título de 'rei intocável' do ChatGPT foi colocado em xeque. Dados compilados pela Similarweb e visualizados pela Visual Capitalist indicam que, embora o ChatGPT permaneça líder em visitas de navegador, sua participação de mercado diminuiu consideravelmente. Em um período de onze meses analisado (culminando em setembro de 2025), o ChatGPT viu sua fatia de mercado cair de 71,8% para 56,4%. Essa perda de domínio não se deveu a uma queda no tráfego — que na verdade cresceu, com 5,9 bilhões de visitas em setembro daquele ano — mas sim ao crescimento acelerado de seus concorrentes diretos.

A ascensão de Gemini e Claude

Os verdadeiros protagonistas dessa nova fase foram o Gemini, do Google, e o Claude, da Anthropic. Juntos, esses dois chatbots acumularam 34,6% do tráfego de navegação no período, com o Gemini respondendo por 25,0% e o Claude por 9,6%. O Claude, em particular, deu um salto impressionante, saindo da quinta para a terceira posição no ranking de uso. O Gemini se beneficia enormemente do vasto ecossistema do Google, com sua aplicação já ultrapassando 750 milhões de usuários ativos mensais, segundo a TechCrunch. O Claude, por sua vez, tem se destacado em nichos como programação e tarefas de conhecimento, além de ter investido em campanhas de marketing de alto impacto, como anúncios na Super Bowl, que o apresentaram ao público em geral. Sua resiliência foi notável, especialmente após um contratempo envolvendo o Pentágono, que não pareceu ter prejudicado sua popularidade, chegando a liderar a App Store dos EUA.

Um mercado em evolução e métricas limitadas

Os dados de tráfego web do período analisado apontam para uma clara reconfiguração do mercado. O ChatGPT liderava com 5,9 bilhões de visitas (56,4% de participação), seguido por Gemini com 2,6 bilhões de visitas (25,0%) e Claude com cerca de 1 bilhão de visitas (9,6%). Outros players como DeepSeek (3,4%), Grok (2,3%), Copilot (1,5%) e Perplexity (0,9%) completavam o cenário. A evolução ao longo de onze meses foi clara: ChatGPT perdeu 15,4 pontos percentuais de market share, enquanto Gemini ganhou 11,4 e Claude 7,3. No entanto, uma análise mais recente dentro desse período, a partir de abril de 2025, mostrou uma leve recuperação para o ChatGPT, que subiu de 53,7% para 56,4%, enquanto o Gemini recuou de 26,7% para 25,0%. O Copilot e o Grok, apesar de suas vantagens de ecossistema e respaldo, perderam meio ponto percentual cada, e o Perplexity caiu 1,6 pontos.

É crucial notar as limitações dessas métricas. O tráfego de navegação não abrange o uso via aplicativos, APIs ou IAs integradas em outros produtos. Uma visita pode variar de uma consulta rápida a uma sessão de trabalho prolongada, e os dados são estimativas baseadas em painéis de usuários e outras fontes. Modelos como o Copilot, integrado ao Windows e Office, podem ser subestimados. Da mesma forma, o uso fora da web de modelos open-source como o DeepSeek, ou o acesso por usuários na China, podem distorcer os números de plataformas como a Similarweb.

Implicações e o futuro da competição

A perda de domínio absoluto do ChatGPT sinaliza um mercado de IA cada vez mais competitivo. A corrida não é mais apenas sobre quem tem o modelo mais avançado, mas também sobre como ele é integrado e acessado pelos usuários. O crescimento acelerado de Gemini e Claude demonstra que a inovação não se limita a um único player, e que estratégias de distribuição e nichos de mercado podem ser tão importantes quanto a performance bruta do modelo. A diversificação de uso e o surgimento de novos modelos, mesmo que com menor participação, indicam um ecossistema mais saudável e dinâmico.

O que o futuro reserva para a inteligência artificial generativa? A consolidação de algumas plataformas, a ascensão de modelos especializados e a contínua batalha por participação de mercado parecem ser os caminhos mais prováveis. A forma como as empresas abordarão a integração de IA em seus produtos e serviços, e como os usuários adotarão essas novas ferramentas, determinará os próximos capítulos dessa revolução tecnológica. A disputa está aberta, e a paisagem da IA continuará a evoluir em ritmo acelerado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka