Usuários que recebem uma marca como recomendação durante uma conversa com o ChatGPT apresentam uma probabilidade 2,5 vezes maior de visitar o site dessa empresa na semana seguinte, segundo dados da Similarweb. O levantamento, que analisou o comportamento de navegação em desktop nos Estados Unidos entre julho e dezembro de 2025, traçou a jornada de consumidores em setores competitivos como finanças, viagens e beleza.
A pesquisa isolou o impacto da inteligência artificial ao excluir usuários que já haviam visitado o site da marca nos últimos 30 dias ou que citaram o nome da empresa diretamente no prompt. O resultado mostra que a IA atua como um filtro decisivo na escolha do consumidor antes mesmo do acesso à página, alterando a dinâmica tradicional do funil de vendas.
O peso da recomendação algorítmica
O padrão de influência da IA foi consistente em todos os setores avaliados. No segmento financeiro, por exemplo, a recomendação do ChatGPT para American Express resultou em uma taxa de conversão de visitas de 7,2%, enquanto a menção ao Capital One elevou a visitação da marca para 14,2%. O mesmo fenômeno ocorreu em viagens e beleza, com marcas como Skyscanner, Kayak, Sephora e Ulta registrando aumentos significativos na atração de tráfego após serem citadas pela ferramenta.
Este cenário sugere que a autoridade de marca está sendo redefinida pela capacidade de figurar nas respostas da IA. As empresas que não conseguem se posicionar como sugestões relevantes dentro desses modelos de linguagem correm o risco de perder uma fatia crescente de tráfego qualificado que, anteriormente, chegaria por meio de buscas diretas ou navegação orgânica.
O tráfego mascarado na análise de dados
Um dos pontos mais críticos revelados pelo estudo é a dificuldade de rastreamento dessa influência. A maioria das visitas impulsionadas pelo ChatGPT não aparece nos relatórios de tráfego como referência da ferramenta. Em vez disso, 55,9% desse tráfego chega aos sites via busca orgânica, camuflando a origem real da decisão de compra nos painéis de analytics das empresas.
Essa opacidade cria um desafio para gestores de marketing. Como o tráfego de IA é frequentemente contabilizado como busca genérica, as marcas podem estar subestimando o impacto real da visibilidade algorítmica em seus resultados. A mudança na atribuição exige que as empresas desenvolvam novas formas de entender como a IA molda o comportamento do cliente antes da visita.
Engajamento superior após o filtro da IA
Além de atrair mais visitantes, a recomendação da IA parece qualificar o tráfego. Usuários influenciados pelo ChatGPT demonstraram um nível de engajamento muito superior, visualizando, em média, 12 páginas e permanecendo quase 12 minutos nos sites, contra 6,5 páginas e cerca de 5 minutos para os demais visitantes. A hipótese é que a conversa com a IA funciona como um processo de pré-seleção.
Para o ecossistema brasileiro, o alerta é claro: a otimização para mecanismos de busca (SEO) tradicional precisa ser complementada por uma estratégia de presença em modelos de IA. O desafio para as marcas é garantir que a recomendação não seja apenas um ponto de partida, mas que a experiência no site converta o interesse gerado pela IA em relacionamento de longo prazo.
O futuro da visibilidade digital
O que permanece incerto é como as plataformas de IA equilibrarão a neutralidade das respostas com a demanda comercial das marcas. A disputa por espaço nos modelos de linguagem deve se tornar a nova fronteira da publicidade digital e do marketing de performance nos próximos anos.
Observar como o tráfego de busca tradicional continuará a ser canibalizado por interações via IA será fundamental para entender a próxima fase da economia digital. A pergunta que fica para as empresas é se elas estão prontas para medir o valor invisível que a IA gera antes do clique.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Search Engine Land





