A China deu um passo significativo na infraestrutura de comunicação com o anúncio de uma nova fibra óptica capaz de transmitir dados a uma velocidade de 3,2 petabits por segundo. O feito, divulgado pelo grupo China Information and Communication Technologies (CICT) em outubro de 2025, representa um aumento de 28% em relação ao recorde anterior do mesmo grupo e supera em muito as capacidades atuais. Para contextualizar a magnitude desse avanço, a velocidade equivale a 400 terabytes por segundo. Isso significa que seria possível transferir mais de 20.000 filmes em resolução 4K em um único segundo, ou atender simultaneamente a 3,2 milhões de conexões domésticas de 1 Gb/s. A comparação mais impressionante, embora teórica, é que toda a informação gerada pela humanidade em 2007 — estimada em 295 exabytes — poderia ser transmitida em aproximadamente 12 minutos.

O segredo está nos 24 núcleos

A inovação reside na arquitetura da fibra óptica. Ao contrário das fibras convencionais, que utilizam um único núcleo para a transmissão de luz, os pesquisadores chineses desenvolveram uma estrutura com 24 núcleos. Essa configuração permite multiplicar os caminhos para a transmissão de dados sem a necessidade de instalar múltiplos cabos independentes. Além disso, a tecnologia combina três bandas do espectro infravermelho (S, C e L), possibilitando o transporte de múltiplos canais de informação simultaneamente. O principal desafio superado foi a gestão das interferências entre os núcleos e a coordenação das diferentes características de cada banda de frequência, permitindo que o teste alcançasse sua velocidade máxima em uma extensão de 10,3 quilômetros.

Compatibilidade e o desafio real

A colaboração entre CICT, o laboratório Pengcheng e FiberHome Fujikura destaca que esta nova arquitetura é compatível com equipamentos comerciais. Isso significa que os sinais são codificados e decodificados em tempo real, sem depender de processamento posterior em laboratório. Essa característica distingue o avanço de outros experimentos, como os 22,9 petabits por segundo alcançados pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação e das Comunicações (NICT) do Japão em 2023, cujas configurações e condições eram diferentes. Embora não seja o recorde absoluto de velocidade em fibra óptica, os 3,2 petabits chineses representam um marco importante por sua aplicabilidade prática.

A demanda da inteligência artificial

O principal motor por trás desse desenvolvimento é a necessidade crescente de infraestrutura para suportar a inteligência artificial. Centros de dados dedicados ao treinamento e execução de modelos de IA exigem uma capacidade de intercâmbio de informações massiva e constante entre milhares de processadores. A capacidade das conexões atuais pode se tornar um gargalo significativo. Engenheiros da CICT estimam que os centros de computação de IA de nova geração poderão necessitar de cinco a dez vezes mais fibra óptica do que os data centers tradicionais. A tecnologia também tem potencial para aplicações em redes de telecomunicações de larga escala e em futuras infraestruturas de 6G.

Próximos passos e o futuro da conectividade

O sucesso em laboratório é um passo crucial, mas o próximo desafio reside na implementação em larga escala e na integração dessa tecnologia em redes de comunicação globais. A capacidade de transmitir volumes de dados sem precedentes abre portas para novas aplicações e serviços, desde a computação distribuída até experiências imersivas em realidade virtual e aumentada. A evolução da infraestrutura de comunicação é fundamental para acompanhar o ritmo exponencial do desenvolvimento tecnológico, especialmente no campo da IA, que demanda cada vez mais poder computacional e conectividade de alta velocidade. A corrida por infraestruturas mais robustas e eficientes está apenas começando, e a China parece estar na vanguarda.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka